A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu a retirada do sigilo de um processo que trata da rede de pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. A manifestação foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) após solicitação do ministro Alexandre de Moraes.
Moraes havia enviado um ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, defendendo a quebra do sigilo da petição que reúne informações sobre os pagamentos de Vorcaro. Antes de tomar uma decisão, Fachin solicitou um parecer da PGR.
Na manifestação, assinada pelo vice-procurador-geral da República, Hidenburgo Chateaubriand Filho, o órgão sustentou que tornar o processo público é necessário para permitir uma compreensão mais ampla dos fatos envolvidos no caso.
PGR diz que não sabia da existência do processo
O processo sobre os pagamentos permanece em segredo, apesar de o STF já ter retirado o sigilo de 53 linhas de investigação decorrentes da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias atribuídas a Vorcaro.
A PGR afirmou no parecer que sequer tinha conhecimento da existência da petição sobre os pagamentos. Segundo o órgão, o processo não aparecia de forma visível para a Procuradoria no sistema do Supremo.
A discussão ocorre às vésperas de um julgamento marcado para esta terça-feira (15), quando o plenário do STF deverá analisar se será aberta uma investigação contra Alexandre de Moraes.
Relatório aponta mensagens entre Vorcaro e Moraes
Entre os elementos que deverão ser analisados está um relatório da Polícia Federal com 52 mensagens que, segundo os investigadores, teriam sido enviadas por Daniel Vorcaro a Moraes.
O material foi recuperado do celular apreendido do ex-banqueiro e compreende mensagens enviadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que Vorcaro foi preso preventivamente. As respostas do interlocutor não foram recuperadas, segundo os investigadores.
De acordo com o relatório, em uma das mensagens Vorcaro aparenta compartilhar com Moraes informações sobre um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outra ocasião, o ex-banqueiro teria buscado informações sobre a operação da Polícia Federal que resultaria em sua prisão.
PGR pede anulação de relatório da PF
O relatório se tornou público no início de setembro, após o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo, retirar o sigilo do material.
A PGR, entretanto, pediu a anulação do relatório. O órgão sustenta que houve irregularidades na produção do documento e argumenta que o relator não poderia ter autorizado o avanço de uma investigação envolvendo um ministro do Supremo sem comunicar previamente o plenário da Corte.
Após a divulgação do material, Moraes apresentou um documento que classificou como relatório de inteligência da Polícia Federal e afirmou que haveria direcionamento das investigações conduzidas no caso Master por Mendonça com o objetivo de atingir adversários políticos.
Segundo a Agência Brasil, o documento apresentado por Moraes não possui assinatura nem timbre da Polícia Federal e contém uma ressalva de que foi produzido como conjectura e sem valor probatório.
Moraes também pediu a Fachin a abertura de uma investigação contra André Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O julgamento desse pedido está previsto para 23 de setembro.

