O Tribunal de Contas do Estado (TCE), ao analisar a prestação de contas de 2025, identificou irregularidades e falhas na gestão da saúde de Rondônia, com problemas relacionados à política materno-infantil. O relatório aponta dificuldades de acesso aos serviços, cobertura insuficiente de exames e concentração de atendimentos especializados.
De acordo com os dados apresentados no relatório, Rondônia possui a segunda pior taxa de mortalidade infantil do país, atrás apenas do Amapá. O documento registra 17 óbitos de crianças de até um ano para cada mil nascimentos, enquanto a média brasileira indicada é de 10.
O TCE também aponta que a mortalidade de mães e bebês está acima das metas nacionais. Segundo o levantamento, mais de um terço das mortes de recém-nascidos estaria relacionado a cuidados inadequados, enquanto cerca de 74% dos óbitos de bebês poderiam ter sido evitados.
Em relação às mortes maternas, mais de um terço teria ocorrido por causas consideradas evitáveis, entre elas infecção urinária, diabetes e hipertensão.
Diante dos dados, o ex-prefeito de Porto Velho e candidato ao Governo de Rondônia pela Federação União Progressistas, Hildon Chaves, criticou a condução da saúde estadual.
“É inaceitável que a incompetência administrativa dos gestores seja a causa da perda de vidas de mães e recém-nascidos rondonienses. Na vida pública não há espaço para achismos”, afirmou.
Hildon disse ainda que, caso eleito, pretende realizar um diagnóstico da saúde e investir na construção de hospitais e centros de atendimento.
“Faremos um diagnóstico da saúde com o compromisso de investir na construção de novos hospitais e centros de atendimento nos locais certos, provendo um atendimento digno para a nossa população”, declarou.
1.250 gestantes sem pré-natal
O relatório também apresenta problemas relacionados ao acompanhamento das gestantes. O padrão considerado ideal é de sete consultas durante a gravidez, com início antes da 12ª semana. No entanto, 2.880 gestantes em Rondônia teriam começado o acompanhamento tardiamente, enquanto outras 1.250 não realizaram nenhuma consulta de pré-natal.
Conforme os dados apresentados, mais de 30% das mortes de recém-nascidos estariam relacionadas a esse cenário.
A mortalidade materna registrada no estado é apontada como a pior desde 2006, chegando a 62 casos para cada 100 mil, diante de uma meta nacional de até 30. Entre os bebês, são nove óbitos por mil, enquanto a meta nacional indicada no documento é de cinco.
Outro problema destacado é a distribuição das UTIs neonatais. Segundo o relatório, a concentração dessas unidades na capital obriga mães e bebês do interior a percorrer distâncias que podem superar 800 quilômetros em busca de atendimento especializado.
O documento aponta ainda dificuldades para a realização de ultrassonografias. Menos de 10% das gestantes teriam acesso ao exame, enquanto quase 60% precisaram recorrer ao atendimento particular.
Hildon critica transporte de pacientes do interior
Hildon Chaves também criticou o transporte de pacientes do interior para atendimento hospitalar nos maiores centros de Rondônia. Segundo o candidato, houve crescimento no número de veículos utilizados para transportar médicos, enfermeiros e pacientes.
“Houve um crescimento recorde no número de veículos que transportam médicos, enfermeiros e pacientes do interior para atendimento hospitalar nos maiores centros do Estado. É uma política fadada ao fracasso, que representa basicamente duas coisas: um enorme desperdício de dinheiro público e a perda de vidas e o sofrimento de muitas famílias rondonienses”, declarou.
Na sequência, Hildon levantou suspeitas sobre a situação, sem apresentar elementos que comprovem eventual benefício financeiro de terceiros.
“Fico imaginando que alguém pode estar lucrando com esse caos”, afirmou.
O candidato declarou que pretende reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes pelas rodovias e ampliar a oferta de atendimento de saúde no interior do estado.

