Falta de médicos, atendimento demorado e até a morte de animais são algumas das denúncias contra o Hospital Veterinário Municipal, localizado na avenida José Bonifácio. Inaugurada há pouco mais de três meses, a unidade administrada pela Prefeitura já apresenta falhas que impedem o socorro imediato. Protetores e tutores relatam que a estrutura não suporta a demanda e que a higiene do local foi comprometida recentemente.
O transbordamento de uma fossa invadiu as salas de atendimento, espalhando água suja por áreas onde os animais deveriam ser tratados com segurança. A falta de manutenção básica no sistema de esgoto indignou quem aguardava na fila e constatou a precariedade da infraestrutura logo no início da operação. O incidente forçou a interrupção de serviços devido o descaso com a conservação do prédio público.
Além dos problemas no prédio, a quantidade reduzida de profissionais é apontada como o principal motivo para as perdas de vidas na espera. O efetivo é considerado insuficiente desde a recepção até os leitos de internação, o que gera um gargalo fatal para pets em estado crítico. Muitas vezes, a demora é tão longa que o quadro de saúde do bicho piora drasticamente antes mesmo do primeiro contato com um veterinário.

Barreiras para internação
A gestão do hospital, feita por uma empresa terceirizada, é criticada por priorizar o corte de gastos em vez da assistência plena. A redução de equipes técnicas em todos os setores é vista como uma forma de garantir lucro, sacrificando a qualidade do serviço pago com dinheiro público. Com menos gente trabalhando, o atendimento flui de forma lenta e deixa a população sem o suporte prometido durante a inauguração.
Outro ponto que gera reclamações constantes é a dificuldade para conseguir uma vaga de internação, mesmo para casos urgentes. Critérios rígidos acabam funcionando como uma barreira, e muitos animais são mandados de volta para casa sem o tratamento adequado por falta de espaço. Sem o monitoramento médico necessário, o resultado tem sido um aumento nas queixas de óbitos que poderiam ter sido evitados com suporte hospitalar.
A Secretaria Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (Sepda) ainda não apresentou uma solução para recompor o quadro de especialistas da unidade. Enquanto o contrato de gestão não é revisado, o hospital segue operando no limite, acumulando queixas de quem depende da rede pública para salvar seus animais. O movimento de proteção animal cobra uma fiscalização para que a estrutura volte a cumprir sua função.


