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“É o desprezo pelos pobres”, dispara Lívia Duarte sobre agressão de universitários a homem em situação de rua

Deputada do PSOL afirma que o caso vai além da agressão física e expõe a aporofobia, cobrando investigação rigorosa e responsabilização dos envolvidos

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A deputada estadual Lívia Duarte levou à pauta da Rádio Alepa FM 101.5 um debate contundente sobre a aporofobia — termo que define a aversão, rejeição ou desprezo direcionado a pessoas pobres e em situação de vulnerabilidade social. A discussão foi motivada pela repercussão de um caso de violência contra um homem em situação de rua, episódio que ganhou projeção na mídia local e nacional e reacendeu o debate sobre desigualdade, impunidade e violência estrutural.

Durante a entrevista, a parlamentar classificou o episódio como um retrato preocupante da naturalização da violência contra pessoas socialmente vulneráveis. O caso envolve dois jovens acusados de agredir e humilhar um homem em situação de rua, registrando toda a ação em vídeo. As imagens, que circularam amplamente nas redes sociais, mostram a violência sendo tratada pelos agressores como entretenimento, em um contexto marcado por risadas e conduta considerada sádica.

Para Lívia Duarte, o episódio ultrapassa os limites de uma agressão física isolada e evidencia um problema social mais profundo. Segundo a deputada, trata-se de uma manifestação explícita de aporofobia, conceito que ganhou notoriedade internacional ao ser escolhido como palavra do ano na Espanha em 2017. Embora dialogue com fenômenos como racismo e xenofobia, a distinção central está no fator socioeconômico como origem da discriminação.

A parlamentar afirmou que a violência observada no caso representa uma escalada preocupante. “Não é apenas agressão, é sadismo, é tortura, é a naturalização da humilhação”, declarou. Ela também destacou que, conforme informações tornadas públicas após a viralização dos vídeos, haveria indícios de repetição de ataques semelhantes, inclusive com a participação de outros jovens oriundos de segmentos de classe média alta, ainda não diretamente vinculados ao episódio mais recente.

Outro ponto levantado durante a entrevista foi a denúncia de possível destruição de provas. A deputada cobrou esclarecimentos sobre informações de que o aparelho celular de um dos envolvidos teria sido quebrado dentro da delegacia. Segundo ela, a situação precisa ser apurada com rigor. “Se é fake news, que a família processe os portais; se não for, quero saber o que aconteceu e estou pedindo explicações”, afirmou.

Lívia Duarte também questionou o tratamento dado ao caso sob a perspectiva social e territorial, levantando debate sobre seletividade na aplicação da justiça. A parlamentar indagou se o desfecho institucional seria o mesmo caso o crime tivesse ocorrido em bairros periféricos, como Terra Firme ou Guamá, sugerindo que o peso das respostas estatais pode variar de acordo com a origem social dos envolvidos.

O silêncio de instituições públicas diante do caso também foi alvo de críticas. Para a deputada, a ausência de manifestações firmes reforça uma desigualdade histórica no acesso à justiça e na proteção de direitos fundamentais, especialmente quando as vítimas pertencem às camadas mais pobres da população.

A entrevista também abordou questões legais relacionadas ao uso de dispositivos de choque, como tasers, classificados como armas de menor potencial ofensivo. A parlamentar descreveu o tema como um “pântano legislativo”, destacando a falta de clareza normativa sobre a utilização desses equipamentos por civis. Na avaliação dela, a lacuna jurídica pode comprometer o enquadramento penal adequado de condutas graves.

Além do caso específico, Lívia Duarte contextualizou o debate dentro de um problema estrutural mais amplo: o aumento do número de pessoas em situação de rua e a ausência de políticas públicas eficazes. “Ninguém está na rua porque quer”, afirmou, criticando discursos que responsabilizam a pobreza individualmente e ignoram a responsabilidade do Estado.

Ao final da entrevista, a deputada reforçou que o episódio deve servir como alerta para a sociedade e para as instituições. Segundo ela, a violência não surge de forma espontânea, mas é alimentada pela impunidade e pela tolerância social a pequenas agressões, que tendem a evoluir para crimes mais graves.

Para a parlamentar, o caso é um retrato preciso das contradições sociais do país, expondo desigualdade, violência e inversão de valores ainda presentes no cotidiano brasileiro. Na Alepa FM, o debate ultrapassou o campo factual e se consolidou como um chamado à reflexão pública e à responsabilização institucional.

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