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STF investiga suspeita de fraude em licitação da COP30 envolvendo deputado no Pará

Investigação da PGR aponta indícios de fraude, corrupção e organização criminosa em licitação de R$ 142 milhões para obras da COP 30 em Belém

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, autorizou a abertura de um inquérito sigiloso para apurar suspeitas de fraude, corrupção e organização criminosa em uma licitação de R$ 142 milhões ligada às obras para a Conferência do Clima da ONU (COP 30), marcada para acontecer em Belém, no Pará, em novembro de 2025.

O pedido de investigação partiu da Procuradoria-Geral da República (PGR), ainda em fevereiro, e foi autorizado em março deste ano. O caso envolve o deputado federal Antônio Doido (MDB-PA), que tem foro privilegiado e, por isso, é investigado diretamente no STF.

De acordo com os documentos do processo, a PGR aponta que o deputado seria o líder de um grupo suspeito de manipular o resultado da licitação para beneficiar empresas ligadas a ele e a pessoas próximas. Uma das empresas vencedoras do certame, a J.A. Construcons Civil Ltda, está registrada no nome da esposa do parlamentar, Andréa Dantas.

A outra empresa, a JAC Engenharia Ltda, tem como sócio um funcionário da fazenda de Doido. Juntas, as empresas formaram o consórcio “Perna Norte”, que venceu a licitação em setembro de 2024 para executar obras relacionadas à infraestrutura urbana da COP 30, com valor total de R$ 142 milhões.

No mesmo dia em que o consórcio foi declarado vencedor, o coronel da Polícia Militar Francisco Galhardo — segurança pessoal do deputado — sacou R$ 6 milhões em espécie na cidade de Castanhal, no interior do Pará, e tentou entrar em contato com o então secretário de Obras do estado, Ruy Cabral. Segundo os investigadores, o saque em dinheiro e as mensagens interceptadas do celular do coronel sugerem uma possível tentativa de pagamento de propina relacionada à licitação.

Além de Doido, o inquérito atinge diretamente outras 11 pessoas, incluindo o secretário Ruy Cabral e o próprio coronel Galhardo. Os envolvidos podem responder por crimes como corrupção, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A investigação foi revelada pelo portal Metrópoles e confirmada por outros veículos de imprensa.

Em nota, o governo do Pará afirmou que a licitação foi realizada de forma legal e transparente, e que o processo foi posteriormente revogado. A gestão estadual declarou ainda que todos os documentos estão disponíveis nos portais oficiais de transparência e que colabora com todas as investigações. A defesa do deputado Antônio Doido repudiou o vazamento das informações do inquérito e disse que ele está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.

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