janeiro 1, 2026
InícioAmazonasPrefeitura acusa Governo de 'escandalosa' desinformação e nega que Estado banque 85%...

Prefeitura acusa Governo de ‘escandalosa’ desinformação e nega que Estado banque 85% da saúde de Manaus

Publicado em

A Prefeitura de Manaus divulgou, na noite desta quinta-feira, 28, uma nota rebatendo as declarações do Governo do Amazonas sobre a divisão de responsabilidades na área da saúde. Segundo a administração municipal, é falsa a alegação de que o Estado cobre 85% da demanda de saúde na capital, e a falta de repasses estaduais tem sobrecarregado os cofres municipais.

A manifestação ocorreu após o governador Wilson Lima afirmar que a gestão estadual assumiu diversos serviços que seriam de responsabilidade do município, incluindo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) 192. Em resposta, a Prefeitura alegou que o Estado não tem cumprido sua parte no financiamento da Farmácia Básica e do Samu, levando o município a ingressar com uma ação judicial para cobrar mais de R$ 250 milhões em repasses atrasados.

Atenção básica e média complexidade

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), a atenção básica é de responsabilidade exclusiva do município, enquanto o Estado deveria se encarregar dos serviços de média e alta complexidade. A Prefeitura destacou que, nos últimos anos, ampliou significativamente a cobertura da atenção primária, saindo de 47,2% para 91,98%, o que demonstra a atuação ativa da gestão municipal.

A Prefeitura também contestou a alegação de que o Estado tem suprido a demanda de saúde da capital, ressaltando que, além da atenção básica, a rede municipal tem expandido serviços de média complexidade para suprir lacunas deixadas pelo Governo. Em quatro anos, a Prefeitura realizou mais de 22,5 milhões de procedimentos nessa área, incluindo exames especializados, mamografias, biópsias e atendimento em policlínicas e centros de reabilitação.

A Semsa argumenta ainda que, ao contrário do que foi afirmado pelo Estado, Manaus não depende exclusivamente da rede estadual para procedimentos médicos de maior complexidade. A Prefeitura cita como exemplo a Maternidade Municipal Dr. Moura Tapajóz, que atende gestantes de risco habitual e desenvolve exames preventivos e diagnósticos de câncer de colo de útero e mama.

Samu e transporte de pacientes

Outro ponto de discordância entre as gestões estadual e municipal envolve o Samu 192. A Prefeitura ressaltou que o serviço não faz parte da atenção básica, mas sim da assistência pré-hospitalar, e que, desde 2014, há um acordo para que o Estado cofinancie a operação. No entanto, segundo a nota da Semsa, os repasses estaduais nunca foram regularizados, e a administração municipal tem arcado sozinha com os custos.

Além disso, a Prefeitura explicou que a decisão do Estado de reassumir o transporte inter-hospitalar foi tomada de maneira unilateral, sem qualquer diálogo com o município. A nota esclarece que a Prefeitura não deixou de cumprir esse serviço, mas que o governo estadual optou por contratar ambulâncias próprias para realizar a transferência de pacientes entre unidades de saúde.

A nota afirma ainda que nos últimos quatro anos, o Samu 192 realizou mais de 429 mil atendimentos e recebeu o selo Diamante 2024 do Angels Awards, um reconhecimento internacional por sua excelência no atendimento a pacientes vítimas de AVC.

Agentes de endemias cedidos pelo governo

Outro ponto abordado pela Prefeitura diz respeito aos agentes de endemias cedidos pelo governo estadual. Segundo a Semsa, esses profissionais atuam na rede municipal porque houve um processo de municipalização da vigilância epidemiológica e ambiental, e não por uma iniciativa voluntária do Estado. A Prefeitura afirmou que os recursos transferidos pelo Fundo Nacional de Saúde para o pagamento desses servidores são repassados regularmente ao Fundo Estadual de Saúde, conforme previsto na legislação.

A nota ainda ressalta que, caso esses servidores tivessem permanecido sob gestão estadual, o Governo teria que arcar integralmente com seus salários, sem a ajuda de recursos federais. A Prefeitura considera que a presença desses profissionais na rede municipal não representa uma concessão do Estado, mas sim uma solução que beneficia ambas as partes.

A Prefeitura encerrou a nota criticando a postura do Governo, que, segundo a declaração, tenta transferir sua responsabilidade para a Prefeitura e distorcer os fatos. A Semsa afirmou que tem mantido investimentos contínuos na saúde, independentemente do período eleitoral, e que continuará cobrando judicialmente o cumprimento das obrigações do Estado.

spot_img

Últimos Artigos

Vira Pará reúne milhares de pessoas no Mangueirão com shows nacionais

Na noite da virada para 2026, uma grande festa pública de réveillon no estacionamento...

Médicos preveem alta hospitalar de Jair Bolsonaro e retorno à Superintendência da PF nesta quinta-feira

Médicos responsáveis pelo acompanhamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, internado desde a véspera de Natal...

Políticas sociais de Boa Vista atenderam 60 mil pessoas em todas as fases da vida em 2025

A prefeitura de Boa Vista divulgou, nesta quarta-feira (31), que, por meio da Secretaria...

UFPA abre inscrições para mais de 30 programas de mestrado e doutorado

A Universidade Federal do Pará (UFPA) tornou pública as novas oportunidades de ingresso em...

Mais como este

Vira Pará reúne milhares de pessoas no Mangueirão com shows nacionais

Na noite da virada para 2026, uma grande festa pública de réveillon no estacionamento...

Médicos preveem alta hospitalar de Jair Bolsonaro e retorno à Superintendência da PF nesta quinta-feira

Médicos responsáveis pelo acompanhamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, internado desde a véspera de Natal...

Políticas sociais de Boa Vista atenderam 60 mil pessoas em todas as fases da vida em 2025

A prefeitura de Boa Vista divulgou, nesta quarta-feira (31), que, por meio da Secretaria...