InícioAmazonasPrefeitura acusa Governo de 'escandalosa' desinformação e nega que Estado banque 85%...

Prefeitura acusa Governo de ‘escandalosa’ desinformação e nega que Estado banque 85% da saúde de Manaus

Publicado em

A Prefeitura de Manaus divulgou, na noite desta quinta-feira, 28, uma nota rebatendo as declarações do Governo do Amazonas sobre a divisão de responsabilidades na área da saúde. Segundo a administração municipal, é falsa a alegação de que o Estado cobre 85% da demanda de saúde na capital, e a falta de repasses estaduais tem sobrecarregado os cofres municipais.

A manifestação ocorreu após o governador Wilson Lima afirmar que a gestão estadual assumiu diversos serviços que seriam de responsabilidade do município, incluindo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) 192. Em resposta, a Prefeitura alegou que o Estado não tem cumprido sua parte no financiamento da Farmácia Básica e do Samu, levando o município a ingressar com uma ação judicial para cobrar mais de R$ 250 milhões em repasses atrasados.

Atenção básica e média complexidade

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), a atenção básica é de responsabilidade exclusiva do município, enquanto o Estado deveria se encarregar dos serviços de média e alta complexidade. A Prefeitura destacou que, nos últimos anos, ampliou significativamente a cobertura da atenção primária, saindo de 47,2% para 91,98%, o que demonstra a atuação ativa da gestão municipal.

A Prefeitura também contestou a alegação de que o Estado tem suprido a demanda de saúde da capital, ressaltando que, além da atenção básica, a rede municipal tem expandido serviços de média complexidade para suprir lacunas deixadas pelo Governo. Em quatro anos, a Prefeitura realizou mais de 22,5 milhões de procedimentos nessa área, incluindo exames especializados, mamografias, biópsias e atendimento em policlínicas e centros de reabilitação.

A Semsa argumenta ainda que, ao contrário do que foi afirmado pelo Estado, Manaus não depende exclusivamente da rede estadual para procedimentos médicos de maior complexidade. A Prefeitura cita como exemplo a Maternidade Municipal Dr. Moura Tapajóz, que atende gestantes de risco habitual e desenvolve exames preventivos e diagnósticos de câncer de colo de útero e mama.

Samu e transporte de pacientes

Outro ponto de discordância entre as gestões estadual e municipal envolve o Samu 192. A Prefeitura ressaltou que o serviço não faz parte da atenção básica, mas sim da assistência pré-hospitalar, e que, desde 2014, há um acordo para que o Estado cofinancie a operação. No entanto, segundo a nota da Semsa, os repasses estaduais nunca foram regularizados, e a administração municipal tem arcado sozinha com os custos.

Além disso, a Prefeitura explicou que a decisão do Estado de reassumir o transporte inter-hospitalar foi tomada de maneira unilateral, sem qualquer diálogo com o município. A nota esclarece que a Prefeitura não deixou de cumprir esse serviço, mas que o governo estadual optou por contratar ambulâncias próprias para realizar a transferência de pacientes entre unidades de saúde.

A nota afirma ainda que nos últimos quatro anos, o Samu 192 realizou mais de 429 mil atendimentos e recebeu o selo Diamante 2024 do Angels Awards, um reconhecimento internacional por sua excelência no atendimento a pacientes vítimas de AVC.

Agentes de endemias cedidos pelo governo

Outro ponto abordado pela Prefeitura diz respeito aos agentes de endemias cedidos pelo governo estadual. Segundo a Semsa, esses profissionais atuam na rede municipal porque houve um processo de municipalização da vigilância epidemiológica e ambiental, e não por uma iniciativa voluntária do Estado. A Prefeitura afirmou que os recursos transferidos pelo Fundo Nacional de Saúde para o pagamento desses servidores são repassados regularmente ao Fundo Estadual de Saúde, conforme previsto na legislação.

A nota ainda ressalta que, caso esses servidores tivessem permanecido sob gestão estadual, o Governo teria que arcar integralmente com seus salários, sem a ajuda de recursos federais. A Prefeitura considera que a presença desses profissionais na rede municipal não representa uma concessão do Estado, mas sim uma solução que beneficia ambas as partes.

A Prefeitura encerrou a nota criticando a postura do Governo, que, segundo a declaração, tenta transferir sua responsabilidade para a Prefeitura e distorcer os fatos. A Semsa afirmou que tem mantido investimentos contínuos na saúde, independentemente do período eleitoral, e que continuará cobrando judicialmente o cumprimento das obrigações do Estado.

spot_img

Últimos Artigos

Justiça anula sessão extraordinária da Câmara de Belém por descumprimento de prazo regimental

Justiça do Pará anulou a 8ª Sessão Extraordinária da Câmara Municipal de Belém, realizada...

Após cobrança dos parlamentares, Hugo Motta destrava tramitação da PEC 47 na Câmara

Parlamentares que compõem a Bancada Federal da região Norte participaram de reunião, nesta quinta-feira...

UFPA lança três editais de PSS com 106 vagas para professores substitutos em 11 campi do Pará

A Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio da Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão...

Quem era “Sicário” de Vorcaro, que morreu sob custódia da PF após prisão na Operação Compliance Zero

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, morreu na noite desta quarta-feira...

Mais como este

Justiça anula sessão extraordinária da Câmara de Belém por descumprimento de prazo regimental

Justiça do Pará anulou a 8ª Sessão Extraordinária da Câmara Municipal de Belém, realizada...

Após cobrança dos parlamentares, Hugo Motta destrava tramitação da PEC 47 na Câmara

Parlamentares que compõem a Bancada Federal da região Norte participaram de reunião, nesta quinta-feira...

UFPA lança três editais de PSS com 106 vagas para professores substitutos em 11 campi do Pará

A Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio da Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão...