A Polícia Civil do Tocantins deflagrou, na manhã desta quarta-feira (14), a Operação ÔM3GA, que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo quatro prefeitos em exercício, um ex-prefeito, vereadores, empresários e servidores públicos. Segundo as investigações, o grupo teria movimentado mais de R$ 10,3 milhões em contratos públicos e distribuído mais de R$ 4 milhões em propinas.
A operação mobiliza mais de 100 policiais civis para o cumprimento de 70 mandados de busca e apreensão contra 41 alvos. As diligências ocorrem nos municípios de Araguaína, Palmas, Ananás, Arapoema, Darcinópolis, Pau D’Arco, Pedro Afonso, Nova Olinda, Palmeirante, Colinas do Tocantins e Figueirópolis.
Entre os locais vistoriados estão as sedes de cinco prefeituras e cinco câmaras municipais, além de escritórios de advocacia, estabelecimentos empresariais e residências dos investigados.
Além dos gestores municipais, a investigação envolve presidentes de câmaras de vereadores, advogados que exercem ou exerceram funções de procuradores municipais, contadores, secretários, empresários e servidores públicos. Também são apuradas suspeitas de lavagem de dinheiro.
Esquema teria começado com contratos sem licitação
As investigações tiveram início em 2024, após a identificação de possíveis irregularidades em contratações públicas realizadas pelas prefeituras de Nova Olinda e Darcinópolis. Com o avanço das apurações, a Polícia Civil identificou indícios de que o esquema teria alcançado outras administrações municipais do Tocantins.
De acordo com a corporação, a organização investigada funcionaria a partir de dois núcleos. O primeiro seria composto por sócios de um escritório de contabilidade, enquanto o segundo estaria vinculado a um casal proprietário de empresas especializadas em sistemas, digitalização e gerenciamento de documentos.
A suspeita é de que o grupo utilizava contratos de serviços contábeis firmados sem licitação como porta de entrada nas administrações municipais. Após conquistar espaço nos órgãos públicos, os envolvidos passariam a influenciar novas contratações em benefício de empresas associadas ao esquema.
Os contratos investigados abrangem serviços de engenharia, digitalização de documentos e locação de veículos.
Segundo a polícia, o direcionamento das contratações teria sido viabilizado mediante o pagamento de vantagens indevidas a prefeitos, vereadores, secretários, procuradores municipais e outros servidores públicos.
Mais de R$ 4 milhões em supostas propinas
O levantamento financeiro realizado pelos investigadores aponta que empresas de contabilidade receberam mais de R$ 10,3 milhões entre 2021 e 2025, principalmente por meio de pagamentos efetuados por prefeituras, câmaras municipais e fundos públicos.
Desse montante, mais de R$ 4 milhões teriam sido repassados a agentes públicos e outras pessoas ligadas ao grupo investigado, como forma de assegurar o favorecimento das empresas nas contratações.
A Polícia Civil também apura a possível utilização de mecanismos de lavagem de dinheiro para movimentar os recursos provenientes das irregularidades.
Justiça determina suspensão de contratos e impõe restrições
Além de autorizar os mandados de busca e apreensão, o Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) determinou a quebra do sigilo bancário dos investigados e a suspensão dos contratos públicos vigentes mantidos com órgãos estaduais por 14 pessoas físicas e jurídicas relacionadas ao suposto esquema.
A decisão judicial também impede que os envolvidos celebrem novos contratos com a administração pública.
Outros cinco investigados foram submetidos a medidas cautelares, incluindo a proibição de manter contato entre si e com agentes públicos envolvidos nas apurações.
Eles também estão impedidos de frequentar as prefeituras e câmaras municipais investigadas e de prestar serviços por meio de contratações públicas no estado.
A Operação ÔM3GA busca reunir provas sobre a participação dos investigados, o possível direcionamento de contratos e o destino dos recursos públicos movimentados pelo grupo.

