O ex-deputado distrital Carlos Xavier (DC), condenado a 14 anos e três meses de prisão por mandar matar um adolescente de 16 anos, é considerado foragido da Justiça do Distrito Federal. O mandado de prisão foi expedido na terça-feira (6), mas o ex-parlamentar não foi localizado pelas autoridades policiais.
Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), equipes realizaram diligências em endereços ligados ao ex-deputado, sem conseguir encontrá-lo. A condenação está relacionada ao assassinato de Ewerton da Rocha Ferreira, ocorrido em março de 2004, na região do Recanto das Emas.
Carlos Xavier foi condenado pelo Tribunal do Júri do Recanto das Emas, em setembro deste ano, a cumprir pena em regime inicialmente fechado. Entretanto, a prisão não pôde ser executada imediatamente porque ele concorria a uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal nas eleições de 2026.
O Código Eleitoral impede, salvo exceções legais, a prisão de candidatos nos 15 dias anteriores à votação. A proteção se estendeu até 48 horas após o primeiro turno, realizado no último domingo (4).
Com o encerramento desse prazo, a Justiça expediu a ordem de prisão, mas o ex-parlamentar não foi encontrado.
Crime teria sido motivado por ciúmes
De acordo com a acusação apresentada pelo Ministério Público, Carlos Xavier teria ordenado o assassinato de Ewerton por suspeitar que o adolescente mantinha um relacionamento amoroso com sua então esposa.
As investigações apontaram que o ex-deputado teria contratado um executor e desembolsado aproximadamente R$ 15 mil para que o crime fosse cometido.
O adolescente foi morto a tiros nas proximidades de uma parada de ônibus, na região do Recanto das Emas, em março de 2004. Na época, Carlos Xavier exercia mandato na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
O processo se arrastou por mais de duas décadas. Em 2014, o ex-parlamentar havia sido condenado a 15 anos de prisão, mas o julgamento foi anulado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), em 2024, após revisão criminal apresentada pela defesa.
Submetido a um novo julgamento em setembro de 2026, Carlos Xavier voltou a ser considerado culpado pelo Tribunal do Júri, que fixou a pena em 14 anos e três meses de reclusão.
Condenado, disputou eleição e recebeu mais de 1,8 mil votos
Mesmo após a condenação, Carlos Xavier participou das eleições de domingo (4), quando concorreu ao cargo de deputado distrital pelo Democracia Cristã (DC).
O ex-parlamentar recebeu 1.814 votos, mas não conseguiu conquistar uma das cadeiras da Câmara Legislativa.
Conhecido politicamente como Adão Xavier, ele exerceu três mandatos como deputado distrital, após ser eleito em 1994, 1998 e 2002. Durante sua trajetória parlamentar, foi autor da legislação que instituiu o Dia do Evangélico no calendário oficial do Distrito Federal.
Após a condenação, Carlos Xavier se manifestou nas redes sociais, classificou a decisão judicial como perseguição política e afirmou que recorreria para tentar comprovar sua inocência.
Até a manhã desta quinta-feira (8), não havia confirmação de que o ex-deputado tivesse sido localizado ou preso.

