Relógios de marcas como Rolex, Richard Mille, Cartier e Audemars Piguet, uma fazenda milionária, tratores, retroescavadeira, aeronave e imóveis de alto padrão estão entre os bens apreendidos, bloqueados ou relacionados pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) às investigações envolvendo Daniel Santos (Podemos), atual candidato ao Governo do Pará, no âmbito da Operação Hades.
Deflagrada em agosto de 2025, quando Daniel ainda comandava a Prefeitura de Ananindeua, a operação investiga suspeitas envolvendo licitações e contratos públicos do município. Entre os crimes apurados estão fraude em licitação, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
As medidas judiciais adotadas no decorrer da investigação alcançaram aproximadamente R$ 500 milhões em patrimônio de 16 pessoas físicas e jurídicas. Desse montante, R$ 131,85 milhões foram atribuídos a Daniel Santos para fins de bloqueio judicial, conforme informações divulgadas sobre a investigação.
O valor chama atenção quando comparado aos bens informados pelo político à Justiça Eleitoral. Em 2024, Daniel havia declarado aproximadamente R$ 4,8 milhões.
Relógios milionários encontrados em Fortaleza
Uma das apreensões que mais chamaram atenção durante a Operação Hades ocorreu em um imóvel relacionado a Daniel Santos em Fortaleza, no Ceará.
Durante o cumprimento dos mandados, agentes encontraram uma coleção de relógios de luxo. Entre as marcas identificadas estavam Rolex, Richard Mille, Audemars Piguet e Cartier.
As estimativas divulgadas inicialmente pelo MPPA apontavam que a coleção poderia chegar a aproximadamente R$ 3 milhões, embora avaliações feitas posteriormente a partir de preços praticados no mercado tenham apresentado cifras diferentes.
Entre os modelos identificados estavam exemplares de elevado valor comercial, incluindo Richard Mille e diferentes modelos Rolex. Alguns relógios individualmente podem alcançar centenas de milhares de reais, dependendo da versão, material, conservação e autenticidade.
Os objetos foram efetivamente apreendidos durante as diligências e passaram a integrar o material analisado na investigação.
Fazenda de R$ 16 milhões
Outro patrimônio que aparece nas apurações é uma propriedade rural em Tomé-Açu.
A fazenda foi avaliada em aproximadamente R$ 16 milhões e é relacionada à Agropecuária JD. Segundo a investigação apresentada pelo MPPA, pagamentos relacionados à aquisição da propriedade teriam envolvido empresas que mantinham relações contratuais com a Prefeitura de Ananindeua.
O Ministério Público investiga se bens de alto valor teriam sido adquiridos como contrapartida ou com recursos provenientes de empresas beneficiadas por contratos públicos.
Além da própria terra, máquinas utilizadas na propriedade também entraram no radar dos investigadores.
Tratores, retroescavadeira e combustível
Informações apresentadas durante a Operação Hades apontaram para tratores avaliados em aproximadamente R$ 3 milhões, além de uma retroescavadeira estimada em cerca de R$ 700 mil.
As apurações também mencionaram aproximadamente R$ 1,3 milhão em combustíveis relacionados à estrutura investigada.
Parte desses equipamentos foi localizada durante as diligências realizadas em propriedades relacionadas ao núcleo investigado.
O MPPA busca esclarecer a origem dos recursos utilizados na aquisição dos bens e eventual participação de empresas contratadas pelo poder público nos pagamentos.
Jatinho de R$ 10,9 milhões
Uma aeronave também aparece entre os bens de maior valor relacionados à investigação.
Trata-se de um Cessna Citation Jet, cuja aquisição teria ocorrido por aproximadamente R$ 10,9 milhões, registrado em nome da Agropecuária JD.
Segundo informações divulgadas a partir da investigação, empresas relacionadas a contratos públicos teriam participado de pagamentos vinculados à compra da aeronave. Uma das transferências investigadas seria de aproximadamente R$ 2,2 milhões.
Apesar de estar submetido às medidas patrimoniais determinadas pela Justiça, o avião não foi fisicamente apreendido durante a primeira fase da Operação Hades porque não se encontrava em solo paraense no momento das diligências.
A situação é diferente, portanto, dos relógios encontrados durante as buscas: o avião foi relacionado e alcançado pelas medidas judiciais, mas não estava entre os objetos recolhidos fisicamente naquele momento.
Mansão de R$ 4 milhões no Ceará
Outro imóvel que posteriormente ganhou destaque nas investigações envolvendo Daniel Santos fica no litoral do Ceará.
A residência de alto padrão, localizada em Fortim, foi avaliada em aproximadamente R$ 4 milhões, considerando o imóvel mobiliado.
Segundo a investigação, pagamentos para aquisição da propriedade teriam sido realizados por pessoas e empresas relacionadas a contratos com a Prefeitura de Ananindeua.
O MPPA apura a origem dos recursos e as circunstâncias das transferências. Em pelo menos um dos casos apontados pela investigação, uma empresa teria recebido recursos da administração municipal e, posteriormente, realizado transferência destinada ao pagamento do imóvel.
Daniel Santos já declarou publicamente que a aquisição ocorreu de forma legal e afirmou que se tratou de uma compra compartilhada entre amigos.
R$ 131,85 milhões atribuídos a Daniel em bloqueio
O conjunto das medidas patrimoniais é um dos principais pontos da Operação Hades.
A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 500 milhões envolvendo todos os investigados. Dentro desse montante, cerca de R$ 131,85 milhões foram atribuídos a Daniel Santos nas medidas de indisponibilidade patrimonial.
O bloqueio judicial não significa, por si só, que todo esse valor tenha sido definitivamente reconhecido como patrimônio ilícito do candidato. Trata-se de uma medida cautelar adotada durante a investigação para preservar bens e valores enquanto os fatos são apurados.
A Operação Hades investiga a suspeita de que empresas interessadas em contratos com a Prefeitura de Ananindeua teriam sido beneficiadas em procedimentos licitatórios e, em contrapartida, participado do pagamento de despesas e da aquisição de patrimônio relacionado a integrantes do grupo investigado.
Investigação chegou aos procedimentos licitatórios
Segundo informações apresentadas pelo MPPA quando a operação foi deflagrada, a investigação encontrou indícios de possível direcionamento de licitações.
Entre os elementos mencionados pelos investigadores estão movimentações financeiras envolvendo empreiteiros e agentes relacionados aos procedimentos licitatórios municipais.
A partir do rastreamento financeiro, documentos, mensagens e demais elementos reunidos durante a investigação, o Ministério Público passou a analisar também a aquisição de bens de alto valor.
Foi nesse contexto que propriedades rurais, máquinas, aeronave, relógios e outros ativos passaram a integrar as apurações.
Daniel nega irregularidades
Daniel Santos tem negado as acusações relacionadas à Operação Hades. Em manifestações públicas, afirmou que seus bens foram adquiridos legalmente e classificou as investigações contra ele como politicamente motivadas.
Nas eleições desse ano, Daniel Santos declarou à Justiça Eleitoral cerca de R$ 4,7 milhões em bens.

