O presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), Mario Vianna, fez duras críticas às condições enfrentadas pela categoria e afirmou que o exercício da medicina chegou a um “ponto crítico”, na gestão do governador Roberto Cidade (UB). Em vídeo publicado nas redes sociais neste fim de semana, o dirigente sindical apontou problemas como atrasos no pagamento de honorários, excesso de burocracia e interferências externas em decisões médicas.
Na manifestação, Vianna argumentou que profissionais estão sendo submetidos a exigências administrativas que, segundo ele, comprometem a autonomia necessária para diagnosticar e definir tratamentos.
“Colegas médicos, o exercício da nossa profissão atingiu um ponto crítico”, declarou no início do vídeo.
Para o presidente do Simeam, a atividade médica passou a exigir que profissionais gastem parte do tempo justificando condutas clínicas que considera consolidadas pela ciência para atender a exigências estabelecidas fora da prática médica.
Sindicato critica honorários e atrasos
Outro ponto levantado pelo dirigente foi a situação financeira enfrentada pelos profissionais. Vianna classificou os honorários pagos aos médicos como insuficientes e afirmou que atrasos estariam ocorrendo nas diferentes relações de trabalho da categoria.
Segundo ele, esse cenário não seria compatível com a formação exigida dos profissionais, que envolve anos de graduação, residência e experiência clínica.
O presidente do sindicato também relacionou as dificuldades enfrentadas pelos médicos à própria assistência oferecida à população.
“Quando a autonomia do médico é cerceada por despachos, normas puramente administrativas ou entendimentos jurídicos que ignoram a complexidade do ato médico, não é apenas a nossa dignidade profissional que é atacada, é a segurança e a saúde de toda uma população do Estado do Amazonas e do Brasil que ficam comprometidas”, afirmou.
Vianna critica interferências na atuação médica
Ao longo da manifestação, Vianna direcionou críticas a decisões administrativas e jurídicas que, em sua avaliação, avançam sobre atribuições técnicas dos profissionais de medicina.
O dirigente afirmou que decisões sobre diagnóstico, procedimentos e tratamentos devem preservar a autoridade técnica dos médicos. Para ele, transformar esses profissionais em executores de determinações tomadas fora do ambiente clínico representa uma redução da autonomia da categoria.
“O Sindicato dos Médicos do Amazonas declara categoricamente que não aceitaremos o apequenamento da nossa profissão. Exigimos o respeito irrestrito às nossas prerrogativas e à nossa independência técnica”, declarou.
Vianna argumentou ainda que a defesa dessa autonomia não deve ser interpretada apenas como uma reivindicação corporativa. Na avaliação dele, a independência técnica está diretamente relacionada à responsabilidade dos médicos sobre a saúde e a vida dos pacientes.
Presidente do Simeam fala em um dos “piores momentos” da categoria
Em outro trecho, o presidente do Simeam afirmou que os médicos atravessam um dos momentos mais difíceis da profissão tanto no Amazonas quanto no restante do país.
Apesar das críticas, Vianna pediu que a categoria mantenha o compromisso com o atendimento à população e continue desempenhando suas funções diante das dificuldades relatadas.
O dirigente também fez um chamado para que entidades representativas ampliem a mobilização em defesa das reivindicações da classe médica.
“Unamo-nos para preservarmos a dignidade da nossa nobre profissão. Que as entidades médicas liderem essa luta e que cada médica e médico desse país compreendam de vez que, unidos, somos mais fortes”, afirmou.
Eleições de 2026 entram no discurso
Na parte final do vídeo, Vianna relacionou as reivindicações da categoria às eleições gerais de 2026 e defendeu maior participação dos médicos no processo eleitoral.
O presidente do Simeam pediu que os profissionais considerem, na escolha dos candidatos, o posicionamento dos futuros representantes em relação às demandas da medicina e às políticas públicas de saúde.
“Que participemos desse processo eleitoral que está por vir, ajudando a escolher representantes verdadeiramente compromissados com nossas causas, a saúde e a vida do povo brasileiro”, concluiu.
As declarações apresentadas por Vianna no vídeo refletem o posicionamento do presidente do Simeam sobre as condições de trabalho e a autonomia da categoria. Na manifestação, ele não detalhou casos específicos de atrasos de pagamentos nem identificou quais decisões administrativas ou jurídicas motivaram as críticas.

