O advogado Wlandre Gomes Leal, investigado pela morte da companheira, Tainá Yarina dos Santos Cardoso, de 29 anos, foi transferido na tarde desta terça-feira (28) de Santarém para uma unidade prisional em Belém, por determinação da Justiça. A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), que informou que o investigado permanece à disposição do Poder Judiciário.
A transferência foi autorizada pelo juiz Sidney Pomar Falcão, da Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Inicialmente, a defesa havia solicitado que o advogado permanecesse preso em Santarém, pedido acolhido pela Justiça na segunda-feira (27). No dia seguinte, porém, os advogados mudaram de posição e requereram a transferência para Belém, solicitação que também foi deferida pelo magistrado.
Até a remoção, Wlandre estava custodiado na Central de Custódia Provisória de Santarém, em cela individualizada e separada dos demais presos. Segundo a Seap, durante todo o período de permanência na unidade foram asseguradas as prerrogativas previstas em lei aos profissionais da advocacia.
O processo tramita sob sigilo de Justiça.
OAB suspendeu exercício profissional
No último dia 20 de julho, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará (OAB-PA) determinou a suspensão cautelar do exercício profissional de Wlandre Gomes Leal.
Em nota, a entidade ressaltou que a medida tem caráter excepcional e não representa antecipação de julgamento ou aplicação de sanção disciplinar, sendo motivada pela gravidade dos fatos investigados e pela repercussão do caso.
Apesar da suspensão, a OAB esclareceu que o advogado continua tendo direito às prerrogativas previstas no Estatuto da Advocacia enquanto mantiver inscrição ativa na entidade, entre elas a custódia em Sala de Estado-Maior ou em local equivalente.
A Ordem também encaminhou o caso ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED), que deverá instaurar procedimento para apurar a conduta do advogado, garantindo o contraditório e a ampla defesa.
Investigação por feminicídio
Wlandre Gomes Leal foi preso na noite de 19 de julho. Segundo a Polícia Civil, ele informou inicialmente que a companheira teria tirado a própria vida.
No decorrer das investigações, porém, a versão passou a ser contestada pelos elementos reunidos pela polícia. De acordo com o delegado Kleidson Castro, inconsistências no relato do investigado, a natureza do ferimento encontrado no tórax da vítima, o estado do sangue localizado no apartamento e o intervalo entre o ocorrido e o acionamento do socorro levantaram dúvidas sobre a dinâmica apresentada.
Com base nesses indícios, o advogado foi preso em flagrante por suspeita de feminicídio.
A Polícia Civil também investiga relatos de possíveis episódios anteriores de violência doméstica envolvendo o casal.
Familiares pedem justiça
No dia 21 de julho, familiares e amigos de Tainá Yarina dos Santos Cardoso realizaram uma manifestação em Santarém para cobrar justiça e pedir a responsabilização do investigado pela morte da jovem.
As investigações seguem em andamento sob sigilo.

