O senador por Roraima, Hiran Gonçalves (PP), chamou atenção nas redes sociais nesta quarta-feira (3) ao publicar um vídeo chegando ao Senado Federal pilotando uma motocicleta luxuosa.
Nas imagens divulgadas pelo parlamentar, ele aparece conduzindo a moto até a sede do Congresso Nacional, em Brasília. Durante a gravação, Hiran comenta que o movimento no Senado estava reduzido naquele dia, mas que precisaria cumprir agenda de trabalho e atender compromissos previamente marcados.
“Não tem quase ninguém por aqui hoje, mas preciso atender algumas pessoas”, afirmou.
Em tom descontraído, o senador se referiu à motocicleta como sua “boneca”. O veículo, da marca Harley-Davidson, é conhecido por integrar o segmento de motocicletas de alto padrão e costuma ser associado a modelos de grande porte e valor elevado.
A publicação repercutiu entre seguidores do parlamentar, gerando comentários sobre a chegada ao Congresso e sobre a motocicleta utilizada. O senador, no entanto, questionado sobre como votou no projeto de decreto legislativo (PDL) que revogou uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) relacionada ao atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e ao acesso ao aborto previsto em lei, na terça-feira, 2
O Fato entrou em contato com a assessoria do senador para questionar como ele havia votado. Não houve retorno.
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PDL polêmico
A proposta foi apresentada pela deputada Chris Tonietto (PL-RJ) e teve como relatora no Senado a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
O texto susta os efeitos da resolução do Conanda que estabelecia diretrizes para o atendimento de meninas menores de 14 anos grávidas em decorrência de estupro, além de casos em que a gestação representasse risco à vida da vítima ou houvesse diagnóstico de anencefalia fetal.
Ao defender a aprovação da matéria, Damares Alves argumentou que o Conanda teria ultrapassado suas atribuições ao tratar de temas que, segundo ela, dependem de deliberação do Congresso Nacional.
“O Conanda foi criado para formular diretrizes e acompanhar políticas públicas voltadas à infância e à adolescência, mas não para criar direitos, restringir prerrogativas previstas em lei ou redefinir regimes jurídicos estabelecidos pelo Congresso Nacional”, afirmou a senadora em seu parecer.
A Resolução do Conanda havia sido aprovada em dezembro de 2024 e regulamentava procedimentos já previstos na legislação brasileira. Entre as medidas, a norma previa o treinamento de profissionais para identificação de situações de violência sexual, garantia de atendimento rápido e sigiloso às vítimas e a priorização da vontade da criança em casos de divergência familiar. A tramitação da proposta ocorreu de forma acelerada.
O projeto foi aprovado pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa no início da tarde e, minutos depois, levado ao plenário do Senado. Sem debates entre os parlamentares, a proposta foi aprovada em votação simbólica, sem registro nominal dos votos.
Vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o Conanda é o órgão colegiado responsável pela formulação, coordenação e fiscalização de políticas públicas voltadas à proteção de crianças e adolescentes, reunindo representantes do governo e da sociedade civil. Por se tratar de um decreto legislativo, a medida passa a valer após a promulgação pelo Congresso Nacional, sem necessidade de sanção presidencial.
O texto já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados em 2025.


