Indígenas do Médio Xingu bloquearam o acesso ao Aeroporto de Altamira, no Pará, em protesto contra o projeto da mineradora canadense Belo Sun e para cobrar resposta das autoridades.
Indígenas do Médio Xingu bloquearam, na segunda-feira 16 de março, a via de acesso ao Aeroporto de Altamira, no sudoeste do Pará, em protesto contra o projeto da mineradora canadense Belo Sun na região da Volta Grande do Xingu.
A mobilização também ocorre na sede da Fundação Nacional dos Povos Indígenas em Altamira, onde mulheres indígenas permanecem acampadas há 22 dias. O grupo cobra diálogo com o governo federal sobre os impactos do empreendimento e pede resposta das autoridades públicas.
Segundo o movimento, participam do protesto indígenas dos povos Xikrin, Arara, Xipai e Juruna. Entre as reivindicações está a realização de escuta e consulta adequadas sobre o projeto minerário, apontado pelas comunidades como uma ameaça socioambiental à região.
A empresa pretende extrair ouro na Volta Grande do Xingu, área considerada uma das mais biodiversas da Amazônia. O projeto enfrenta questionamentos de indígenas e ribeirinhos, que também manifestam preocupação com a instalação de uma barragem de rejeitos tóxicos, como o cianeto.
De acordo com o movimento de mulheres indígenas do Médio Xingu, a mobilização foi iniciada diante da falta de respostas concretas do poder público. Em nota divulgada nesta terça-feira 17, o grupo afirmou que aguarda providências das autoridades sobre as preocupações relacionadas à instalação da mineradora.
As lideranças sustentam que qualquer decisão sobre o empreendimento deve respeitar os direitos dos povos potencialmente afetados, especialmente o direito à consulta prévia, livre e informada, previsto na Constituição e na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.
A discussão sobre o projeto ocorre em meio a uma disputa judicial. Em fevereiro deste ano, a Belo Sun conseguiu restabelecer por liminar a licença de instalação da mina de ouro. O Ministério Público Federal recorreu da decisão.
Comunidades da Volta Grande do Xingu afirmam que a região já sofre impactos provocados pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Em nota, a Belo Sun informou que respeita o direito de manifestação, negou ausência de consulta prévia e declarou que as atividades previstas seguirão os limites e condicionantes estabelecidos.
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