O deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira (5), durante a quarta fase da Operação Unha e Carne. A ação investiga a atuação de uma organização criminosa suspeita de fraudar contratos públicos no âmbito da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro.
De acordo com a PF, há indícios de que o parlamentar tenha ligação com um esquema voltado ao direcionamento de compras de materiais e contratação de serviços, incluindo obras de reforma em unidades escolares da rede estadual. As apurações indicam que empresas previamente selecionadas seriam beneficiadas nos processos, especialmente em áreas sob influência política do investigado.
Empresário do setor varejista, Thiago Rangel já havia sido alvo de outra investigação da Polícia Federal. Em 2024, ele foi citado na operação “Postos de Midas”, que apurou fraudes em licitações envolvendo postos de combustíveis, além de suspeitas de crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro.
Na trajetória política, Rangel foi eleito vereador em 2020 no município de Campos dos Goytacazes e, dois anos depois, conquistou mandato como deputado estadual, com 31.175 votos, à época pelo Podemos. Também ocupou cargos públicos como superintendente regional do IPEM-RJ e diretor de fiscalização no Detro-RJ, com atuação ligada ao transporte coletivo no estado.
A Operação Unha e Carne é a mesma que resultou, em dezembro de 2025, na prisão de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Nesta nova fase, além da prisão de Rangel, a PF cumpre outros cinco mandados de prisão e 23 de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana.
Segundo a Polícia Federal, as investigações tiveram início a partir da análise de materiais apreendidos em fases anteriores da operação, inicialmente voltadas ao combate ao vazamento de informações sigilosas por agentes públicos. Com o avanço das apurações, foi identificado um possível esquema de direcionamento de contratos em escolas estaduais vinculadas à Diretoria Regional Noroeste da Secretaria de Educação.
Ainda conforme a PF, após o recebimento de recursos públicos, os valores seriam sacados e posteriormente transferidos para empresas ligadas ao grupo investigado. Parte do dinheiro teria sido misturada a recursos de origem lícita em contas bancárias associadas a uma rede de postos de combustíveis administrada pelo suposto líder da organização criminosa.


