Indígenas de diversas etnias ocuparam, na noite de quarta-feira, 4, o Aeroporto Internacional de Santarém Maestro Wilson Fonseca, no oeste do Pará. Em razão da manifestação, todos os voos previstos para o fim da noite e a madrugada desta quinta-feira, 5, foram cancelados.
A suspensão das operações foi informada pela Aena Brasil, concessionária responsável pelo aeroporto. Em nota, a empresa comunicou que havia uma manifestação pacífica em frente ao terminal de passageiros e orientou os usuários a entrarem em contato com as companhias aéreas para informações sobre os voos.
A ocupação do aeroporto ocorreu por volta das 21h20. Mais cedo, no mesmo dia, manifestantes bloquearam a rodovia Fernando Guilhon, principal via de acesso ao terminal, utilizando troncos de árvores e formando um cordão humano. A ação dificultou o tráfego de veículos na região.
Durante as manifestações, o grupo também ocupou a sede da empresa Cargill, em Santarém. Segundo as lideranças indígenas, a mobilização teve início há 14 dias e tem como pauta a revogação do Decreto nº 12.600 de 2025.
O decreto, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, autoriza a concessão de hidrovias à iniciativa privada e permite a dragagem do rio Tapajós. As comunidades indígenas afirmam que a norma foi editada sem consulta prévia e pode resultar em intervenções no rio, como dragagem, construção de portos e implantação de hidrovias.
O Ministério Público Federal apontou possíveis consequências da dragagem, entre elas a liberação de metais pesados, incluindo mercúrio, o comprometimento da qualidade da água e riscos à saúde das populações que dependem do rio para consumo e pesca. O órgão também alertou para impactos sobre espécies aquáticas e sobre o ecossistema do Tapajós.
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