A Polícia Federal (PF) vai incluir a disputa pela posse de uma ilha envolvendo o jogador Richarlison em um inquérito que investiga as relações entre o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz, amigo do parlamentar. A informação foi divulgada pela jornalista Jussara Soares, da CNN Brasil, na quinta-feira (22).
O inquérito já apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Willer Tomaz, que também é investigado por possíveis ligações com esquemas de fraudes em descontos de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A inclusão do caso ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciar, na quarta-feira (21), que solicitaria à Polícia Federal uma investigação sobre as circunstâncias da disputa pelo imóvel, localizado na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Lula afirmou que Richarlison teria sido prejudicado após pagar R$ 10 milhões pela propriedade.
“Estou pedindo para a Polícia Federal investigar para saber aonde é que foi feito o trambique que tiraram do pai do bebê uma ilha que ele tinha pagado 10 milhões por ela”, declarou o presidente.
Richarlison acusa Flávio Bolsonaro e advogado
A disputa ganhou repercussão depois que Richarlison, atacante do Tottenham, da Inglaterra, publicou um vídeo acusando Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz de terem atuado para retirar dele a posse da propriedade.
Segundo o jogador, ele investiu R$ 10 milhões na aquisição do imóvel. O atleta afirma que Flávio demonstrou interesse em comprar a ilha, mas que a proposta foi recusada.
“Flávio e o tal Willer Tomaz pegaram em 24h a posse da ilha na mão grande e sem gastar um tostão porque eu não quis vender”, afirmou Richarlison.
À CNN Brasil, o empresário Oswaldo Botrel, agente do jogador, declarou que a aquisição foi realizada junto aos primeiros posseiros e proprietários originais do terreno.
Advogado contesta acusações e nega participação de Flávio
Willer Tomaz negou irregularidades na negociação e contestou a versão apresentada pelo jogador.
Segundo o advogado, Richarlison adquiriu a propriedade de pessoas que não tinham legitimidade para realizar a venda.
Tomaz afirmou que a compra feita por sua empresa ocorreu de maneira regular, com escritura pública, registro em cartório e documentação da Secretaria do Patrimônio da União (SPU).
“Você comprou a ilha de invasores. Eu tenho a escritura de compra e venda”, declarou em vídeo publicado nas redes sociais.
O advogado também sustentou que Richarlison perdeu disputas judiciais relacionadas ao imóvel em diferentes instâncias, incluindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), e que desistiu da ação em 2025.
Tomaz negou qualquer participação de Flávio Bolsonaro na aquisição da propriedade.
“Flávio nunca vendeu, nunca comprou, nunca foi parte de nada disso. Quem comprou foi a minha empresa”, afirmou.
Grupo também pediu investigação ao Ministério Público
A controvérsia também motivou um pedido de investigação apresentado ao Ministério Público pelo grupo Derrubando Muros, formado por sociólogos, empresários e juristas.
A organização solicitou a apuração da possível participação de Flávio Bolsonaro na disputa pela ilha, apontando suspeitas de advocacia administrativa e grilagem.
A Polícia Federal deverá incorporar as informações relacionadas ao imóvel ao inquérito que já investiga as relações entre o senador e Willer Tomaz.
As acusações apresentadas pelo jogador são contestadas pelo advogado e ainda dependem de apuração pelas autoridades.

