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Gestão Daniel Santos tem histórico de denúncias de assédio, intimidação e perseguição a servidores públicos

Episódio de xingamentos a policiais em delegacia reacende acusações feitas por professores, médicos, sindicatos e vereadores durante os anos em que o candidato comandou a Prefeitura de Ananindeua

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O vídeo em que o ex-prefeito de Ananindeua e candidato ao Governo do Pará Daniel Santos (Podemos) usa o termo “vagabundos” ao se referir a policiais não é o primeiro episódio a colocar sua trajetória política em meio a conflitos envolvendo servidores públicos. Durante os anos em que esteve à frente da Prefeitura de Ananindeua, sua administração foi alvo de denúncias de assédio moral, perseguição, intimidação e pressão sobre trabalhadores do município.

Diferentemente do episódio registrado neste domingo, 6, porém, as ocorrências anteriores dizem respeito, em sua maioria, a acusações contra a gestão municipal, secretarias e integrantes da administração.

O episódio mais recente ocorreu dentro da Seccional Urbana da Cidade Nova, em Ananindeua. Em um vídeo que circulou nas redes sociais, Daniel aparece discutindo com agentes e utiliza a palavra “vagabundo” ao se referir a policiais presentes na unidade.

A declaração provocou reação de entidades representativas das forças de segurança. A Associação dos Delegados de Polícia do Pará (Adepol-PA) e o Clube dos Oficiais da Polícia Militar divulgaram manifestações de repúdio à conduta do candidato.

O caso ganhou ainda mais repercussão porque ocorreu um dia depois de Daniel publicar uma mensagem em defesa da valorização dos profissionais da segurança pública.

Professores denunciaram assédio e perseguição

Os conflitos entre servidores e a administração de Daniel Santos aparecem em registros anteriores. Uma das categorias que mais apresentou denúncias durante sua gestão foi a dos trabalhadores da educação.

Em 2023, o Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras em Educação Pública do Estado do Pará (Sintepp), por meio da subsede de Ananindeua, publicou uma nota de repúdio envolvendo a administração municipal.

A entidade denunciou casos de assédio moral contra profissionais da educação e criticou a condução da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Educação diante das reclamações apresentadas pelos trabalhadores.

Segundo o sindicato, servidores de uma escola municipal também teriam sofrido represálias após tornarem públicas denúncias sobre problemas enfrentados no ambiente de trabalho.

As acusações voltaram a aparecer em 2024. Naquele ano, o Sintepp denunciou situações que classificou como recorrentes de assédio moral dentro das escolas municipais.

A entidade relacionou o ambiente de trabalho ao adoecimento de profissionais da educação e chegou a relatar que, em uma única unidade de ensino, seis trabalhadores estavam afastados por problemas emocionais que, segundo o sindicato, estariam relacionados às condições enfrentadas no local.

Vereadores levaram denúncias ao Legislativo

As acusações também chegaram à Câmara Municipal de Ananindeua.

Em abril de 2024, vereadores denunciaram publicamente supostos casos de assédio moral e perseguição contra servidores municipais, especialmente trabalhadores contratados temporariamente.

Na ocasião, o vereador Osmar Nascimento afirmou que as denúncias indicariam a existência de um processo de assédio dentro da estrutura municipal e anunciou que relatos seriam encaminhados aos órgãos competentes, incluindo o Ministério Público.

As manifestações ampliaram a pressão sobre a administração de Daniel e colocaram as condições de trabalho dos servidores no centro do debate político municipal.

Médicos relataram ameaças, coação, gritos e xingamentos

A área da saúde também registrou conflitos durante a administração Daniel Santos.

Em dezembro de 2022, durante uma greve de médicos da rede municipal de Ananindeua, profissionais apresentaram uma série de reclamações sobre as condições de trabalho e denunciaram episódios de assédio moral, ameaças, coação, gritos e xingamentos.

À época, médicos chegaram a registrar boletins de ocorrência relacionados à conduta de uma dirigente de unidade de saúde.

Nesse episódio, entretanto, as acusações não apontavam Daniel Santos como autor direto dos supostos xingamentos ou ameaças. As denúncias envolviam integrantes da estrutura administrativa municipal durante sua gestão.

Sindicato voltou a denunciar intimidação em 2025

Os embates com os trabalhadores da educação continuaram no ano seguinte.

Em abril de 2025, durante uma paralisação de professores, o Sintepp acusou a Prefeitura de Ananindeua de tentar intimidar profissionais que aderiram ao movimento.

Segundo a entidade, servidores teriam sido ameaçados com o lançamento de faltas nos contracheques em razão da participação na greve. Representantes sindicais voltaram a atribuir à administração municipal práticas de intimidação e desvalorização dos profissionais.

Outro episódio registrado naquele período envolveu denúncias de pressão política sobre trabalhadores da Prefeitura.

Em fevereiro de 2025, mensagens atribuídas a integrantes do grupo político ligado à administração municipal indicavam cobrança pela participação de servidores em agendas políticas. Em uma das mensagens divulgadas, havia referência a funcionários que não participavam das atividades e posteriormente procuravam ajuda política quando eram exonerados.

Reclamações chegaram a 2026

As denúncias envolvendo a relação entre a Prefeitura e os profissionais da educação permaneceram no debate público até o último ano da administração Daniel Santos.

Em março de 2026, professores da rede municipal entraram em greve após um impasse nas negociações com a Prefeitura. Entre as reivindicações apresentadas pela categoria estava justamente o fim de situações classificadas pelos trabalhadores como assédio e perseguição dentro da rede municipal.

O movimento voltou a colocar a política de relacionamento da administração com os servidores entre os principais pontos de desgaste da gestão.

Vídeo coloca Daniel diretamente no centro da controvérsia

Apesar do histórico de denúncias, o episódio deste domingo apresenta uma diferença relevante.

Nas ocorrências anteriores, as acusações atingiam principalmente a administração municipal, gestores, secretarias ou pessoas vinculadas ao governo de Daniel. Agora, o próprio candidato aparece no registro audiovisual durante a discussão.

Segundo a Adepol-PA, Daniel teria perguntado “quem são esses dois vagabundos”, em referência a integrantes das forças de segurança.

A declaração provocou reação das entidades policiais e transformou o tratamento dispensado pelo candidato aos agentes em tema da campanha eleitoral.

O episódio ocorre justamente no momento em que Daniel tenta chegar ao Governo do Pará e coloca a segurança pública entre os assuntos de sua campanha. Ao mesmo tempo, traz novamente ao debate um histórico de denúncias feitas por diferentes categorias de servidores durante os anos em que comandou a segunda maior cidade do estado.

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