A apreensão de aproximadamente 2,5 toneladas de skunk em Manaus ganhou repercussão na disputa pelo Governo do Amazonas. O vereador e candidato a deputado federal Sargento Salazar (PL) acusou adversários políticos de Maria do Carmo (PL) de tentarem explorar o caso para atingir a candidata eleitoralmente.
A manifestação ocorreu após imagens da operação policial mostrarem bandeiras da campanha de Maria do Carmo próximas à carga apreendida. Em vídeo publicado nas redes sociais, Salazar questionou a exposição do material e responsabilizou politicamente o grupo do governador e candidato à reeleição Roberto Cidade, a quem costuma chamar de “Pão Molhado”.
“Quando eu falo que o grupo do Pão Molhado é sujo, as pessoas falam que eu estou aloprando. Olha aqui, polícia fez uma apreensão de não sei quantas toneladas de droga e colocaram as bandeiras da professora Maria do Carmo no meio das drogas”, disse.
Salazar não apresentou provas de que integrantes do grupo de Cidade tenham colocado as bandeiras junto aos entorpecentes. Também não há, até o momento, informação das autoridades policiais apontando interferência de qualquer grupo político na disposição dos materiais exibidos nas imagens da apreensão.
Operação apreendeu toneladas de skunk
A ação da Polícia Civil ocorreu na quinta-feira (3), no bairro Aleixo, Zona Centro-Sul de Manaus. O material ilícito estava armazenado em dois caminhões encontrados em um imóvel relacionado a Rodrigo Soares, conhecido como RC Soares.
Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, os veículos seriam utilizados para levar a droga do Amazonas para outros estados. Soares teve a prisão preventiva cumprida e é investigado por tráfico de drogas.
O episódio chegou ao centro do debate eleitoral porque Soares se apresentava nas redes sociais como coordenador da campanha de Maria do Carmo. Há também registros dele ao lado da candidata.
Essa identificação, entretanto, era utilizada pelo próprio investigado. As informações disponíveis até agora não confirmam se Soares ocupava oficialmente algum cargo na estrutura eleitoral da candidata do PL.
A presença das bandeiras no imóvel também não estabelece, por si só, vínculo da campanha de Maria do Carmo com a carga apreendida. Nenhuma informação divulgada pela Polícia Civil até o momento aponta participação da candidata na investigação.
“É jogo sujo”, diz Salazar
No vídeo, Salazar sustentou que a forma como o material eleitoral apareceu junto à apreensão teria como finalidade provocar desgaste à imagem de Maria do Carmo.
“E agora, vocês colocando a bandeira da professora Maria do Carmo no meio das drogas. Porra, é jogo sujo isso daí”, afirmou.
O vereador ampliou as críticas e recuperou acusações que já havia feito contra adversários. Salazar afirmou que pessoas ligadas ao grupo político de Cidade teriam procurado a mãe de seu filho e oferecido dinheiro para que ela atuasse contra ele durante a campanha.
A alegação foi apresentada pelo próprio candidato e, na publicação, não foi acompanhada de elementos que demonstrassem a participação de integrantes do grupo de Roberto Cidade.
Salazar ainda atacou a administração estadual ao citar pendências que, segundo ele, atingiriam médicos, trabalhadores terceirizados e integrantes da segurança pública.
Com a repercussão política do caso, a apreensão de drogas passou a alimentar o confronto entre aliados das duas candidaturas ao Governo do Amazonas. No âmbito policial, porém, a investigação está concentrada na origem, armazenamento e destino da carga apreendida e nos suspeitos envolvidos no esquema de tráfico.
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