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Pessoas em situação de rua cobram emprego, moradia e acesso a serviços públicos durante audiência do MPF em Belém

Relatos apresentados durante audiência pública destacaram dificuldades para conseguir trabalho, acessar programas habitacionais, obter atendimento em saúde e participar de políticas públicas

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Pessoas em situação de rua participaram, nesta quinta-feira (13), de uma audiência pública promovida pelo Ministério Público Federal (MPF), em Belém, para apresentar reivindicações relacionadas ao acesso ao trabalho, à moradia, à educação, à saúde e aos serviços públicos.

O encontro reuniu representantes do MPF, do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), da Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE-PA), da Defensoria Pública da União (DPU), de órgãos municipais e estaduais, além de movimentos sociais e trabalhadores da assistência social.

Ao abrir a audiência, o procurador regional dos Direitos do Cidadão no Pará, Sadi Machado, afirmou que o principal objetivo da iniciativa foi ouvir diretamente as pessoas em situação de rua para identificar demandas e contribuir para o aprimoramento das políticas públicas.

Trabalho e qualificação estiveram entre as principais reivindicações

A dificuldade para conseguir emprego foi um dos temas mais recorrentes durante a audiência. Participantes relataram possuir experiência profissional, formação técnica e diferentes qualificações, mas afirmaram encontrar barreiras para ingressar no mercado de trabalho.

Durante os depoimentos, pessoas em situação de rua defenderam a ampliação da oferta de cursos profissionalizantes, a criação de oportunidades de contratação e o acesso a programas de qualificação.

Representantes de movimentos sociais e entidades ligadas aos trabalhadores também destacaram a necessidade de criar mecanismos que facilitem a contratação de profissionais que vivem em situação de vulnerabilidade.

Ao longo do encontro, foram sugeridas parcerias com instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), além do aproveitamento de espaços públicos para a realização de cursos e oficinas.

Problemas em abrigos e centros de atendimento foram relatados

As condições dos serviços destinados à população em situação de rua também foram alvo de críticas.

Participantes relataram problemas relacionados à infraestrutura dos abrigos e dos Centros Pop, incluindo falhas no abastecimento de água, alimentação insuficiente, precariedade dos banheiros, falta de mobiliário e dificuldades de acesso aos serviços de saúde.

Também foram apontadas deficiências nos serviços oferecidos pela Casa Rua e pelo Espaço Acolher. Entre as reivindicações estão melhorias estruturais, ampliação das vagas de acolhimento e criação de espaços voltados à educação, ao trabalho e às atividades culturais.

Durante a audiência, o MPF informou que já realizou vistorias nos equipamentos públicos destinados à população em situação de rua e elaborou relatórios técnicos com recomendações consideradas prioritárias.

Os documentos foram entregues à presidente da Fundação Papa João XXIII (Funpapa), Dyjane Chaves dos Santos Amaral, responsável pela política municipal de assistência social.

Segundo a gestora, as pendências identificadas serão analisadas com prioridade. Ela também reconheceu a necessidade de ampliar a oferta de vagas nos serviços de acolhimento.

Moradia e saúde também estiveram no centro do debate

O acesso à moradia foi outro tema amplamente discutido. Participantes defenderam a ampliação dos programas habitacionais, o fortalecimento do aluguel social e a expansão dos espaços de acolhimento.

Durante as discussões, representantes do poder público destacaram a necessidade de integrar políticas de assistência social, saúde, educação e habitação para enfrentar os desafios vivenciados por essa população.

Na área da saúde, os relatos apontaram dificuldades para obter consultas, medicamentos, cirurgias e atendimento em saúde mental.

A regularização da documentação pessoal também foi citada como um dos principais obstáculos enfrentados por pessoas em situação de rua. A Defensoria Pública do Estado informou que continuará oferecendo apoio para a emissão de documentos e outros serviços jurídicos.

Discriminação e violência também foram denunciadas

Os participantes da audiência também relataram episódios de discriminação, violência e tratamento inadequado em espaços públicos e nos serviços de atendimento.

Foram apresentados relatos relacionados à violência contra mulheres em situação de rua e às dificuldades enfrentadas pela população LGBT.

Representantes de movimentos sociais defenderam a participação direta das pessoas em situação de rua na elaboração das políticas públicas voltadas ao segmento.

Instituições acompanharão o cumprimento das medidas

Ao final da audiência, representantes do MPF, do MPPA, da DPE-PA e da DPU afirmaram que continuarão acompanhando a implementação das medidas anunciadas durante o encontro.

Entre os encaminhamentos definidos está a realização de novas reuniões com representantes dos trabalhadores da assistência social e o monitoramento das ações desenvolvidas pelo poder público.

O MPF também informou que continuará acompanhando o cumprimento da decisão da Justiça Federal que determinou o aumento dos recursos destinados às políticas públicas voltadas à população em situação de rua em Belém.

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