A Polícia Civil de Roraima (PCRR), por meio da Delegacia Geral de Homicídios (DGH), cumpriu nesta sexta-feira (24) um mandado de busca e apreensão contra um soldado de 2ª Classe da Força Aérea Brasileira (FAB), de 22 anos, investigado por suspeita de induzir, instigar ou auxiliar uma adolescente de 13 anos à prática de automutilação e ao suicídio.
A ação ocorreu no bairro Cauamé, em Boa Vista, por determinação da 2ª Vara do Tribunal do Júri e da Justiça Militar da Comarca de Boa Vista. A vítima reside no município de Americana, no interior de São Paulo.
Segundo a Polícia Civil, a investigação teve início após o recebimento de um relatório encaminhado pelo National Center for Missing & Exploited Children (NCMEC), organização norte-americana especializada na proteção de crianças e adolescentes e referência internacional no recebimento de denúncias envolvendo crimes praticados no ambiente virtual.
O relatório, referente a fatos registrados em 9 de setembro de 2025, foi encaminhado à Polícia Federal no Brasil dois dias depois, dando origem a um inquérito instaurado pela Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (Deleciber/PF/RR).
Com o avanço das investigações, surgiram indícios de que o investigado mantinha contato com a adolescente por meio de mensagens diretas no Instagram, incentivando-a à prática de automutilação e ao suicídio.
Devido à natureza do crime, previsto no artigo 122, §§ 3º, inciso II, e 4º, do Código Penal, a competência para condução do caso foi transferida para a 2ª Vara do Tribunal do Júri e da Justiça Militar, que autorizou o cumprimento das medidas cautelares para aprofundamento das investigações.
Celular e SSD foram apreendidos
Durante o cumprimento do mandado, os policiais civis apreenderam um telefone celular e uma unidade de armazenamento do tipo SSD. Os equipamentos serão submetidos à perícia técnica especializada para extração e análise dos dados.
De acordo com o delegado adjunto da DGH, Thiago Alexandre, os materiais poderão fornecer elementos importantes para esclarecer os fatos e confirmar a autoria do crime.
“A investigação teve início a partir de informações encaminhadas pelo National Center for Missing & Exploited Children (NCMEC) à Polícia Federal. Com o avanço das diligências, foram identificados indícios de que o investigado mantinha contato com uma adolescente de 13 anos por meio da rede social Instagram, incentivando-a a práticas de automutilação e suicídio. O cumprimento do mandado de busca e apreensão e a perícia dos equipamentos eletrônicos são medidas fundamentais para reunir elementos que contribuam para o completo esclarecimento dos fatos”, afirmou.
O delegado destacou ainda que o caso demonstra a importância da atuação integrada entre a Polícia Civil, a Polícia Federal e organismos internacionais no combate aos crimes cibernéticos contra crianças e adolescentes.
Investigado responde em liberdade
Segundo a Polícia Civil, o soldado da FAB responde ao processo em liberdade. Além do mandado de busca e apreensão, outras medidas cautelares determinadas pela Justiça foram cumpridas por oficial de Justiça.
As investigações seguem sob sigilo. Após a conclusão da perícia dos equipamentos apreendidos, os dados obtidos serão incorporados ao inquérito policial para subsidiar a continuidade das diligências e a eventual adoção de novas medidas legais.

