A prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra recolocou o Primeiro Comando da Capital (PCC) numa investigação sobre lavagem de dinheiro e infiltração do crime organizado em estruturas empresariais e digitais. O Ministério Público de São Paulo afirma que a relação dela com familiares de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder da facção, seria “direta e íntima”, segundo apuração da operação Vérnix.
O promotor Lincoln Gakiya, responsável por investigações históricas contra o PCC, aponta que Deolane mantinha proximidade com Paloma Camacho e Alexandro Camacho. Ambos são citados como peças relevantes no núcleo investigado. Segundo o MP-SP, contas ligadas à influenciadora teriam sido usadas em movimentações financeiras suspeitas, com indícios de lavagem de dinheiro.
As investigações também indicam crescimento patrimonial de mais de R$ 140 milhões em dois anos. O valor é tratado pela força-tarefa como um dos principais elementos de análise no inquérito. Para os investigadores, a evolução financeira não seria compatível com as atividades declaradas pela influenciadora.
Outro ponto citado pela apuração envolve a relação entre Deolane e Paloma Camacho, sobrinha de Marcola. As duas teriam mantido convivência em São Paulo e permanecido em países da Europa no mesmo período. Paloma chegou a ser alvo de tentativa de prisão na Espanha, mas não foi localizada e passou a ser considerada foragida.
Detida em Barueri, na Grande São Paulo, Deolane afirmou em audiência de custódia que é alvo de investigação por sua atuação como advogada criminalista. Chorando, declarou que os valores recebidos em conta têm origem na atividade profissional e negou ligação com organização criminosa.
A defesa sustenta que a influenciadora é inocente e aponta excesso nas medidas judiciais. Os advogados pediram prisão domiciliar, citando que ela é mãe de uma criança de 9 anos e que o caso não envolve violência. A Justiça manteve a prisão preventiva.
O caso integra a operação Vérnix, que apura um suposto esquema milionário de lavagem de dinheiro atribuído ao PCC, com uso de empresas, contas de terceiros e movimentações financeiras consideradas atípicas pelos investigadores.

