O Tribunal de Justiça do Amazonas marcou para o próximo dia 27 de maio o julgamento de Gil Romero Machado Batista e José Nílson Azevedo da Silva, acusados pela morte de Débora da Silva Alves e do bebê que ela gestava. O crime ocorreu em julho de 2023 e ganhou repercussão nacional pela brutalidade do caso e pelas circunstâncias envolvendo a ocultação do corpo da vítima.
Os dois réus serão levados a júri popular pela 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus. A sessão ocorrerá no Fórum Ministro Henoch Reis, na zona Centro-Sul da capital amazonense, sob condução do juízo responsável pela unidade.
Segundo a denúncia do Ministério Público, os acusados respondem por homicídio qualificado com agravantes como motivo torpe, emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio. Eles também foram denunciados por violência doméstica, aborto provocado por terceiro e ocultação de cadáver.
O processo já passou pela fase de pronúncia, quando a Justiça entendeu haver elementos suficientes para levar os investigados a julgamento popular. A decisão foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Amazonas após análise dos recursos apresentados pelas defesas.
Mais de 20 testemunhas
Para a sessão plenária, o Ministério Público arrolou oito testemunhas. Já as defesas apresentaram nove testemunhas em favor de Gil Romero Machado Batista e outras cinco ligadas à defesa de José Nílson Azevedo da Silva.
Embora o Código de Processo Penal estabeleça limite de cinco testemunhas para depoimentos em plenário, a ampliação foi admitida pela Justiça diante da quantidade de crimes atribuídos aos réus no mesmo processo.
Durante o julgamento, serão realizados depoimentos das testemunhas convocadas, interrogatórios dos acusados e os debates entre acusação e defesa. Após as sustentações orais, os jurados decidirão se os réus devem ser condenados ou absolvidos.
A expectativa é que a sessão se estenda por várias horas em razão da quantidade de testemunhas, da complexidade da investigação e do número de acusações incluídas na denúncia.
Repercussão nacional
Débora Alves desapareceu no fim de julho de 2023, quando estava grávida. Dias depois, as investigações da Polícia Civil passaram a apontar Gil Romero como principal suspeito do crime.
O caso provocou forte repercussão nas redes sociais e mobilizou familiares da vítima durante as buscas. As investigações também identificaram a participação de José Nílson Azevedo da Silva na ocultação do cadáver, segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público.
A denúncia sustenta que Débora foi assassinada em contexto de violência doméstica e que o crime envolveu extremo sofrimento físico e psicológico. O corpo da vítima foi localizado dias após o desaparecimento.
O julgamento será aberto ao público e acompanhado por familiares, representantes do Ministério Público, advogados de defesa e equipes da imprensa local.

