O ministro Alexandre de Moraes determinou que o governo brasileiro adote medidas imediatas para efetivar a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, presa na Itália desde 2025. A decisão foi tomada após a Justiça de Roma aceitar as garantias apresentadas pelo Brasil sobre as condições em que a condenada será mantida no sistema prisional brasileiro.
O despacho do Supremo Tribunal Federal aciona diretamente o Ministério da Justiça e o Itamaraty para concluir o retorno da ex-parlamentar ao país. Zambelli foi condenada pela Primeira Turma do STF a 10 anos de prisão em regime inicialmente fechado por invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica.
Segundo a decisão da Corte, a ex-deputada participou de ataques envolvendo invasões de sistemas eletrônicos e inserção de informações falsas em plataformas oficiais. A pena também incluiu pagamento de 200 dias-multa, calculados com base em 10 salários mínimos por dia na época dos fatos, com atualização monetária.
O processo transitou em julgado em junho de 2025, quando o STF rejeitou recursos apresentados pela defesa de Zambelli e do hacker Walter Delgatti Neto. Os ministros consideraram os pedidos apenas manobras protelatórias para atrasar o cumprimento da sentença.
Após a confirmação definitiva da condenação, Moraes determinou a formalização do pedido de extradição ao governo italiano ao identificar que Zambelli havia deixado o Brasil e passado a viver na Itália.
Itália cobrou garantias sobre prisão no Brasil
A captura da ex-deputada ocorreu em julho de 2025, em Roma, durante operação conduzida pela Interpol. A prisão teve como objetivo assegurar o cumprimento do acordo internacional de extradição firmado entre Brasil e Itália.
Durante a tramitação do pedido, autoridades italianas solicitaram esclarecimentos detalhados sobre o sistema prisional brasileiro. Entre as exigências encaminhadas ao STF estavam informações sobre a unidade em que Zambelli ficará presa, separação entre detentos provisórios e condenados, além de garantias de segurança e proteção física dentro do presídio.
Os documentos foram traduzidos para o italiano e enviados ao Ministério da Justiça brasileiro em dezembro de 2025. Após analisar as respostas encaminhadas pelo Brasil, a Corte de Roma autorizou oficialmente a extradição em maio deste ano.
Além da condenação relacionada às invasões de sistemas, Carla Zambelli também responde por outro processo criminal ligado ao caso em que perseguiu um homem armada pelas ruas de São Paulo. Nesse processo, ela foi condenada a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.

