Deputados federais de Roraima assinaram propostas que podem adiar em até 10 anos o fim da escala 6×1 e abrir brecha para ampliação da jornada de trabalho no país. As emendas também permitem que a carga semanal chegue a 52 horas em determinados casos, alterando o desenho da PEC que trata da redução da jornada.
As assinaturas partem dos deputados federais Pastor Diniz (União Brasil) Nicoletti (PL), que apoiaram mudanças no texto em discussão no Congresso Nacional. A proposta original prevê a redução gradual da jornada de 44 para 36 horas semanais.
Uma das emendas abre espaço para acordos diretos entre empresas e trabalhadores, permitindo que a jornada ultrapasse o limite previsto na PEC. Na prática, a medida mantém a possibilidade de rotinas mais longas de trabalho, mesmo dentro de um cenário de reforma.
Outro ponto do texto prevê que setores considerados essenciais, como saúde, segurança e transporte, permaneçam com jornada de até 44 horas semanais. A mudança cria uma diferenciação entre categorias dentro das regras da redução de carga horária.
As propostas também condicionam o fim da escala 6×1 à aprovação de uma lei complementar específica. Além disso, vinculam a mudança ao cumprimento de metas de produtividade que ainda não foram definidas no texto em análise.
Críticos apontam que as alterações podem esvaziar o conteúdo original da PEC e postergar mudanças defendidas por trabalhadores. Já os autores argumentam que uma redução acelerada da jornada pode gerar aumento de custos e impactos econômicos para as empresas. O tema segue em debate no Congresso e ganhou repercussão entre trabalhadores nas últimas semanas.

