Uma investigação da Polícia Civil do Amapá identificou um esquema interestadual de fraude que usava a falsa prova de vida do Instituto Nacional do Seguro Social para enganar aposentados e pensionistas. Dezoito pessoas foram indiciadas por participação no grupo criminoso, suspeito de movimentar mais de R$ 1,2 milhão por meio de empresas usadas para ocultar o dinheiro obtido com os golpes. O bloqueio judicial dos bens foi autorizado após o avanço das apurações conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão à Fraude Eletrônica (DRFE).
Segundo a investigação, os suspeitos montaram uma estrutura com atuação concentrada no interior de São Paulo, mas as vítimas estavam espalhadas em diversos estados brasileiros. A Polícia Civil aponta que a quadrilha utilizava empresas registradas em nome de terceiros para dificultar o rastreamento das transferências financeiras e fragmentar os valores recebidos das vítimas.
O golpe começava por chamadas de vídeo feitas pelo WhatsApp. Durante o contato, integrantes do grupo se apresentavam como servidores do INSS e afirmavam que os beneficiários precisavam atualizar a prova de vida para evitar o bloqueio da aposentadoria. Sob pressão e acreditando se tratar de um procedimento oficial, muitas vítimas acabavam seguindo as orientações dadas pelos criminosos e realizavam movimentações bancárias sem perceber que estavam sendo enganadas.
A polícia informou que o grupo responderá pelos crimes de fraude eletrônica, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem chegar a 26 anos de prisão. Ao longo da investigação, os agentes identificaram a circulação de R$ 1.296.948,04 em contas ligadas aos investigados e a quatro empresas apontadas como peças do esquema financeiro utilizado pela quadrilha.
O caso também reacende o alerta para golpes envolvendo aposentados e pensionistas, alvo frequente de organizações criminosas que exploram a falta de familiaridade de parte das vítimas com procedimentos digitais. A Polícia Civil reforçou que o INSS não realiza prova de vida por telefone, aplicativos de mensagens ou chamadas de vídeo, tampouco solicita transferências bancárias, senhas ou compartilhamento de dados pessoais.
Atualmente, a comprovação de vida dos beneficiários ocorre, em grande parte, por cruzamento automático de informações em bases públicas e privadas. Em situações específicas, quando há necessidade de confirmação manual, o aviso é feito pelos canais oficiais do aplicativo Meu INSS ou diretamente pela instituição financeira responsável pelo pagamento do benefício.


