Uma mulher investigada por suspeita de estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro em Belém foi presa preventivamente pela Polícia Civil do Pará, na tarde de quinta-feira (29), em Natal, capital do Rio Grande do Norte. A suspeita teria utilizado uma empresa para captar investimentos com promessas de lucros em supostos contratos de fornecimento de veículos ao poder público. Uma das vítimas transferiu R$ 1,32 milhão ao empreendimento.
A prisão foi realizada por policiais da Seccional Urbana do Comércio, de Belém, após autorização da Justiça paraense. Também foi determinada a apreensão do celular da investigada, que será submetido à análise de dados autorizada judicialmente.
Segundo as investigações, a mulher buscava investidores interessados nos supostos contratos e utilizava intermediários para conseguir recursos financeiros. Entre as pessoas envolvidas na captação estaria o contador da empresa.
O delegado Diego Catunda, responsável pela investigação, informou que uma das vítimas repassou R$ 1,32 milhão à empresa. Entretanto, o valor da dívida reconhecida pela própria suspeita chegou a R$ 1,65 milhão.
Durante as apurações, os policiais também identificaram que um imóvel apresentado como garantia contratual havia sido transferido para outra pessoa, igualmente investigada. A transação é analisada por suspeita de simulação de negócio.
Investigação identifica movimentações financeiras milionárias
Para apurar as transações, a Polícia Civil analisou três Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), obtidos por meio do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Os investigadores também produziram dois relatórios policiais que fundamentaram o pedido de prisão preventiva apresentado à Justiça.
De acordo com a Polícia Civil, a análise dos documentos revelou movimentações de milhões de reais, operações com dinheiro em espécie e possíveis divergências entre os valores recebidos dos investidores e a execução dos contratos anunciados pela empresa.
As apurações também incluem a transferência do imóvel oferecido como garantia, diante da suspeita de que a negociação patrimonial tenha sido simulada.
Suspeita deixou o Pará e foi localizada no Rio Grande do Norte
Após os fatos investigados, a mulher saiu do Pará. Para identificar seu paradeiro, os policiais realizaram levantamentos de vínculos pessoais, endereços e informações obtidas por meio de quebra de sigilo de dados telemáticos, autorizada pela Justiça.
O trabalho permitiu localizar a investigada em Natal, onde a equipe paraense cumpriu o mandado de prisão preventiva, com apoio operacional do Núcleo de Inteligência Policial (NIP).
Após a prisão, a mulher foi encaminhada à Central de Flagrantes da Polícia Civil do Rio Grande do Norte.
O aparelho celular apreendido será submetido à extração e análise de informações. O inquérito policial continua em andamento para apurar a participação de outras pessoas nas operações financeiras investigadas.

