Arthur Henrique (PL) tem um plano de governo robusto para a Saúde de Roraima com foco na redução das filas, ampliação do atendimento no interior e reorganização da gestão hospitalar. Os dados foram registrados no DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No documento, a saúde aparece como um dos principais eixos da administração proposta pela chapa de Arthur Henrique e Haroldo Cathedral. O plano afirma que o setor representa 17,61% do orçamento estadual de 2026, cerca de R$ 1,6 bilhão, e aponta como principais desafios a demora no atendimento, a concentração dos serviços em Boa Vista e a necessidade de mudanças na gestão dos hospitais.
Uma das propostas de maior destaque é a instalação temporária do gabinete do governador dentro do Hospital Geral de Roraima (HGR) nos primeiros meses de mandato. Segundo o plano, a medida teria como objetivo acompanhar diretamente decisões relacionadas a leitos, escalas médicas e regulação hospitalar.
O documento afirma que a intenção é aproximar a gestão dos problemas enfrentados diariamente por pacientes e profissionais.
Fila de atendimento deverá ser divulgada
Outro compromisso previsto é tornar público o tempo de espera em cada unidade da rede estadual.
Pelo plano, hospitais e demais unidades deverão medir e divulgar os próprios indicadores de espera. A proposta também prevê ampliar a Central Estadual de Regulação de Leitos e criar um painel público para que a população acompanhe as filas.
No caso do HGR, o programa de governo cita a ampliação já em andamento, que deve acrescentar cerca de 180 leitos. A proposta é concluir e colocar a nova estrutura em funcionamento, associando a ampliação à organização de leitos de retaguarda para pacientes em pós-operatório e à integração da regulação hospitalar.
Hospitais do interior
A regionalização também ocupa espaço central nas propostas.
Arthur Henrique propõe fortalecer a atenção básica nos municípios-polo e recuperar hospitais do interior em padrão semelhante ao de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), com utilização de tecnologia e telemedicina.
O documento prevê ainda melhorar de forma integrada os serviços de ambulância e criar uma cesta de medicamentos para garantir distribuição regular aos municípios do interior.
Entre as unidades citadas nominalmente para ampliação, modernização ou fortalecimento estão o Hospital Délio de Oliveira Tupinambá, em Pacaraima; o Hospital Ruth Quitéria, em Normandia; o Hospital Epitácio de Andrade Lucena, em Alto Alegre; o Hospital Governador Ottomar de Souza Pinto, em Rorainópolis; e a Maternidade Thereza Monay Montessi.
O plano também estabelece a execução de um Plano Diretor de Saúde para o período de 2027 a 2030.
Mutirões de cirurgias como política permanente
Na área de procedimentos eletivos, a candidatura propõe transformar os mutirões de cirurgias em uma política permanente do Estado.
A prioridade dos pacientes deverá considerar dois critérios: o tempo de espera e a gravidade clínica.
O documento também prevê concurso público para profissionais da saúde, com cronograma definido dentro do mandato.
Outra proposta é expandir a Estratégia Saúde da Família em parceria com as prefeituras. O plano usa como referência a experiência de Boa Vista, onde, segundo o documento, o número de equipes passou de 60 para 149.
Carretas da Saúde e atendimento à mulher
Arthur Henrique também propõe colocar Carretas da Saúde nos municípios, com atendimento médico e odontológico e planejamento das rotas de acordo com as demandas do interior.
Para a saúde da mulher, o plano prevê uma frota estadual própria de unidades móveis equipada com mamografia digital, ultrassonografia e capacidade para realização de biópsias.
A proposta é que as unidades atendam os 15 municípios de Roraima por meio de uma rota anual previamente divulgada. O documento também prevê integração com a regulação estadual para que mulheres com exames alterados já recebam encaminhamento para a continuidade do atendimento.
Programa de óculos será levado ao interior
O plano também prevê estadualizar o programa Bem-Te-Vi, criado em Boa Vista para atendimento oftalmológico e entrega gratuita de óculos a estudantes.
A proposta inclui realização de triagens, mutirões de consultas e uso de equipamento para diagnóstico ocular. O público previsto engloba crianças e adolescentes de creches, pré-escolas, ensino fundamental, escolas indígenas e do campo, além de estudantes da Educação de Jovens e Adultos.
Segundo o documento, mais de 5 mil estudantes já teriam recebido óculos por meio do programa na capital.
Saúde indígena e telemedicina
Para as comunidades indígenas, Arthur Henrique propõe a elaboração de um plano específico de saúde em articulação com a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e com as lideranças das próprias comunidades.
O programa ainda inclui ações voltadas à saúde da criança seguindo modelos semelhantes ao Bem-Te-Vi.
Na área de tecnologia, o plano prevê buscar a universalização da telemedicina e do prontuário eletrônico. Também estabelece como meta conectar 100% das unidades de saúde à internet de alta velocidade até 2030.
Com essas medidas, o plano de Arthur Henrique concentra a estratégia para a saúde em quatro frentes principais: redução e transparência das filas, fortalecimento da rede hospitalar, interiorização dos serviços e ampliação da atenção especializada por meio de tecnologia e unidades móveis.

