A Polícia Civil de Roraima (PCRR) deflagrou, nesta quarta-feira (26), a segunda fase da operação que investiga o roubo de aproximadamente 30 quilos de ouro e dinheiro, avaliados em mais de R$ 23 milhões. Nesta etapa, foram presos preventivamente dois policiais civis do Amazonas suspeitos de participação no crime.
Os alvos são o delegado John Allan Cunha Castilho, de 29 anos, e o investigador Diego Gabriel Rodrigues de Araújo, de 37 anos. Os mandados foram cumpridos no Amazonas pela Polícia Federal (PF), em apoio à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Roraima.
A investigação conta ainda com participação do Ministério Público de Roraima (MPRR), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Controle Externo da Atividade Policial.
De acordo com o delegado Hugo Cardias, titular da Draco, as investigações começaram em março deste ano na Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Roraima, após uma denúncia de roubo.
Durante a apuração, os investigadores identificaram que uma viatura descaracterizada da Polícia Civil de Roraima teria sido utilizada na ação criminosa. O veículo era usado pelo oficial investigador M.H.A.S., de 51 anos, que passou a ser investigado.
Com o aprofundamento das diligências, a polícia afirma ter identificado a participação de oito pessoas no crime.
Segundo a investigação, I.L.B.G., de 33 anos, preso em Florianópolis (SC), seria o mentor intelectual da ação. Ele teria contatos relacionados à intermediação e comercialização de ouro e, após tomar conhecimento de uma grande quantidade do minério que seria negociada, teria acionado o primo, John Allan Cunha Castilho, delegado da Polícia Civil do Amazonas.
John Allan, ainda conforme a apuração, teria acionado o investigador Diego Gabriel Rodrigues de Araújo. Os dois teriam viajado para Roraima e entrado em contato com M.H.A.S. para organizar uma falsa operação policial destinada a simular a apreensão do ouro.
Durante a ação, M.H.A.S. e Diego Gabriel Rodrigues de Araújo teriam entrado no imóvel para executar a suposta falsa operação policial, enquanto John Allan Cunha Castilho teria permanecido do lado externo, dando suporte. Ouro e dinheiro teriam sido retirados do local sob a aparência de uma apreensão policial, mas, segundo a investigação, o material não foi apresentado em nenhuma unidade policial.
Além de John Allan Cunha Castilho e Diego Gabriel Rodrigues de Araújo, presos nesta quarta-feira, a investigação aponta outros seis participantes. Uma das pessoas identificadas ainda não foi localizada.
Na primeira fase, realizada em 21 de agosto, quatro investigados foram presos, três em Roraima e um em Florianópolis, Santa Catarina.
Segundo Hugo Cardias, a identificação do veículo utilizado foi fundamental para reconstruir a dinâmica da ação e chegar aos suspeitos em diferentes estados.
“A partir da identificação do veículo utilizado na ação, conseguimos avançar na apuração, identificar as autorias, o modo de atuação do grupo e chegar aos envolvidos em Roraima, Santa Catarina e Amazonas”, afirmou.
Além das prisões, a investigação resultou no bloqueio judicial de aproximadamente R$ 12 milhões em bens e valores dos investigados. Segundo a Polícia Civil, a medida busca preservar patrimônio que possa estar relacionado aos crimes apurados.
“Conseguimos reunir elementos de prova robustos, identificar oito pessoas que participaram do crime e obter judicialmente o bloqueio de aproximadamente R$ 12 milhões. Hoje concluímos as diligências de investigação e avançamos para a etapa de finalização do inquérito”, declarou Cardias.
A Polícia Civil informou ainda que M.H.A.S. também é investigado por outro episódio, ocorrido em janeiro deste ano, em Alto Alegre. Nesse caso, ele teria simulado a apreensão de ouro pertencente a um garimpeiro.
Paralelamente à investigação criminal, a Corregedoria-Geral instaurou um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) contra o oficial investigador.
Com a conclusão das diligências, o inquérito entra agora na fase de finalização e posteriormente deverá ser encaminhado à Justiça.

