As investigações da Polícia Civil sobre a Operação El Dourado apontam que contadores investigados por integrar um suposto esquema de fraudes no setor do agronegócio pagavam R$ 2 mil por mês a pessoas recrutadas para atuarem como “laranjas”. Segundo a apuração, os investigados utilizavam os nomes dessas pessoas para abrir empresas e contas bancárias destinadas à movimentação de recursos supostamente ilícitos.
De acordo com a polícia, as contas eram controladas diretamente pelos suspeitos, que compareciam semanalmente às residências dos “laranjas” para realizar procedimentos de reconhecimento facial exigidos em transferências bancárias e pagamentos de valores milionários.
O inquérito investiga crimes de sonegação fiscal, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro que, segundo a Polícia Civil, teriam causado prejuízo superior a R$ 55 milhões aos cofres públicos.
Os principais investigados apontados pela polícia são o contador Paulo César Maciel dos Santos, identificado como líder do grupo, e Ítalo Paz Koche, apontado como gerente-geral do escritório de contabilidade envolvido no esquema.
Segundo as investigações, Ítalo assumia a administração do escritório na ausência de Paulo César. O nome do contador passou a integrar o inquérito após os desdobramentos da primeira fase da Operação El Dourado, deflagrada em março deste ano.
Na última terça-feira, policiais civis cumpriram mandado de busca e apreensão na residência de Ítalo, em Palmas. Durante a operação, foram apreendidos notebooks, aparelhos celulares, carimbos com nomes de investigados e duas porções de substância análoga à maconha, prontas para consumo.
Pagamento mensal e ameaças
Conforme a investigação, um dos “laranjas” foi recrutado por Ítalo com auxílio de outra pessoa. A promessa era de pagamento mensal de R$ 2 mil para que emprestasse seu nome à abertura de uma empresa utilizada no esquema.
Ainda segundo a Polícia Civil, Ítalo e Paulo César visitavam a residência dessa pessoa entre três e quatro vezes por semana para realizar operações financeiras que exigiam autenticação biométrica.
As investigações apontam que, ao tentar deixar o esquema após receber valores inferiores aos prometidos, o “laranja” passou a sofrer ameaças de morte.
Durante interrogatório, Ítalo confirmou que trabalha no mesmo escritório de Paulo César e afirmou prestar serviços na área de tecnologia da informação (TI). O investigado também exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio.
Esquema no agronegócio
A Operação El Dourado apura um suposto esquema baseado na criação e utilização de empresas de fachada para simular negociações milionárias envolvendo grãos, como soja e milho.
Segundo a Polícia Civil, o grupo emitia notas fiscais falsas para gerar créditos fraudulentos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
As investigações apontam que, em apenas seis meses, uma das principais empresas envolvidas declarou movimentação superior a R$ 464 milhões, mas recolheu aproximadamente R$ 39 mil em tributos.
Na primeira fase da operação, deflagrada em 24 de março de 2026, a Polícia Civil cumpriu mandado de prisão preventiva contra um dos principais investigados, localizado em Unaí (MG).
Outro mandado de prisão preventiva foi expedido contra Paulo César Maciel dos Santos, que não foi localizado pelas equipes policiais e permanece foragido.

