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Advogado pede investigação sobre meio bilhão de reais destinado por Celina Leão ao transporte do DF

Marco Vicenzo quer abertura de inquérito civil para apurar possível conflito de interesses na aplicação dos recursos previstos em projeto encaminhado pela governadora

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O advogado Marco Vicenzo protocolou no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) um pedido para que uma Notícia de Fato seja convertida em procedimento preparatório ou inquérito civil com o objetivo de investigar a destinação de R$ 508,5 milhões previstos no Projeto de Lei nº 2.433/2026, encaminhado pela governadora Celina Leão à Câmara Legislativa do Distrito Federal em regime de urgência.

Assinado em 7 de agosto, o projeto prevê a abertura de crédito suplementar em favor da Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal (Semob). De acordo com a proposta, os recursos serão destinados integralmente à manutenção do equilíbrio financeiro do Sistema de Transporte Público Coletivo.

No aditamento apresentado ao MPDFT, o advogado solicita que seja apurado se a URBI Mobilidade, o Consórcio HP-HSGP, a HSGP Administração Participações e Serviços ou empresas relacionadas poderão receber ou ser beneficiadas, direta ou indiretamente, por parte dos recursos.

Segundo a representação, o pedido de investigação considera a informação de que o empresário Edmundo de Carvalho Pinheiro, apontado como ligado ao grupo empresarial, mantém uma relação societária privada com a governadora e o marido dela. Esse vínculo já havia motivado a apresentação da Notícia de Fato original.

O documento ressalta, no entanto, que o encaminhamento do projeto não comprova, por si só, a existência de favorecimento e afirma que as informações apresentadas precisam ser confirmadas durante a investigação. A representação também destaca que não há acusação direta da prática de qualquer ilícito.

Entre os pedidos apresentados ao Ministério Público, o advogado requer o rastreamento da aplicação dos R$ 508,5 milhões, além do acesso a contratos, processos administrativos, memórias de cálculo, pareceres técnicos, pagamentos e critérios que serão utilizados na distribuição dos recursos entre as empresas responsáveis pelo transporte coletivo.

A representação também solicita a preservação imediata de documentos, mensagens funcionais, registros de reuniões, agendas, notas técnicas, pareceres, planilhas e históricos do processo administrativo relacionado ao projeto.

Além disso, o advogado pede que o MPDFT tenha acesso à íntegra dos processos administrativos que embasaram a elaboração do projeto e que a Secretaria de Transporte apresente uma memória de cálculo detalhada, com a identificação dos contratos, operadores e possíveis beneficiários dos recursos.

Outro pedido encaminhado ao Ministério Público é a comunicação do caso ao Tribunal de Contas do Distrito Federal para a realização de uma auditoria concomitante. A representação também solicita que a Câmara Legislativa seja informada sobre a existência da apuração antes da análise da proposta em regime de urgência.

O documento aponta ainda uma possível inconsistência na destinação orçamentária dos recursos. Segundo a representação, os valores têm origem na cessão de direitos creditórios da dívida ativa, cuja legislação determina a aplicação de pelo menos 50% dos recursos em despesas relacionadas ao regime próprio de previdência social, enquanto o restante deve ser destinado a investimentos.

No entanto, o projeto prevê a aplicação integral dos R$ 508,5 milhões na manutenção do equilíbrio financeiro do sistema de transporte coletivo.

Caso sejam identificados indícios concretos de irregularidades, o advogado pede medidas adicionais, entre elas o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos, mediante autorização judicial. O pedido poderá atingir a governadora, o marido dela, o empresário Edmundo de Carvalho Pinheiro e as empresas relacionadas ao caso.

Também foi solicitado que o Ministério Público avalie medidas para suspender a tramitação em regime de urgência ou impedir a execução dos recursos até o esclarecimento dos fatos.

“Estamos falando de mais de meio bilhão de reais. A população precisa saber exatamente para onde esse dinheiro vai e se uma empresa ligada ao sócio particular da governadora poderá ser beneficiada. Não estamos antecipando culpa. Estamos exigindo transparência, investigação e proteção do dinheiro público”, afirmou o advogado.

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