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Mais de 5,1 milhões de famílias deixam o Bolsa Família após aumento de renda, diz governo

Desligamentos ocorreram entre 2023 e 2026 após beneficiários superarem critérios de permanência no programa; dados apontam avanço do emprego formal e redução da desigualdade social.

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Mais de 5,1 milhões de famílias deixaram de depender do Programa Bolsa Família entre março de 2023, período de retomada da política social pelo Governo Federal, e abril de 2026, após registrarem aumento de renda acima dos critérios de permanência no benefício. Os dados apontam que os desligamentos ocorreram em razão da superação do limite previsto pela Regra de Proteção ou pelo encerramento do prazo de permanência nesse mecanismo de transição.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), as famílias beneficiadas apresentaram melhora nas condições econômicas, especialmente por meio da inserção no mercado formal de trabalho. O ministro Wellington Dias destacou que o novo formato do programa busca incentivar a geração de emprego e renda como estratégia de combate à pobreza.

Segundo ele, mais de 5 milhões de famílias deixaram o programa desde 2023 após superarem a condição de vulnerabilidade social. “Saíram do Bolsa Família porque saíram da pobreza, ou seja, passaram a ter um emprego”, afirmou o ministro.

A Regra de Proteção foi criada para garantir uma transição gradual às famílias cuja renda ultrapassa o limite de elegibilidade do programa. Pelo mecanismo, famílias que passam a ter renda superior a R$ 218 por pessoa, mas ainda abaixo de R$ 706 per capita, não são imediatamente excluídas do benefício. Nesses casos, elas permanecem recebendo 50% do valor do auxílio por até 12 meses, como forma de assegurar estabilidade financeira durante o período de adaptação à nova condição econômica.

Os dados regionais mostram que o estado de São Paulo liderou o número de famílias que deixaram o programa em razão do aumento de renda, com aproximadamente 745,6 mil desligamentos. Em seguida aparecem o Distrito Federal, com 546 mil famílias, a Bahia (487,6 mil), Minas Gerais (430,2 mil) e o Rio de Janeiro (393,7 mil).

Levantamento baseado em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), cruzados com o Cadastro Único (CadÚnico), indica ainda que 80% das vagas de emprego formal criadas no primeiro trimestre de 2026 foram ocupadas por pessoas inscritas nos programas sociais do governo.

Para o ministro Wellington Dias, os números demonstram maior inserção dos beneficiários no mercado de trabalho formal e contestam a percepção de que pessoas atendidas por programas sociais não buscam emprego. Segundo ele, os dados reforçam conclusões já identificadas em estudos anteriores sobre mobilidade econômica entre famílias de baixa renda.

Outro indicador apontado pelo governo é o crescimento da renda do trabalho entre a população de menor renda. Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV Social), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), mostram que o rendimento desse grupo aumentou 10,7%, percentual superior ao registrado entre os 10% mais ricos do país, cuja alta foi de 6,7%. Em média, a renda do trabalho no Brasil avançou 7,1% no período analisado.

O estudo atribui a redução da desigualdade social à combinação entre geração de empregos formais e mecanismos de proteção social, como a Regra de Proteção do Bolsa Família.

Além disso, o governo federal destaca o papel do Programa Acredita, voltado ao incentivo ao empreendedorismo de baixa renda. A iniciativa já movimentou R$ 15 bilhões em operações de crédito para microempreendedores, com apoio de um Fundo Garantidor que dispensa a exigência de avalistas tradicionais, facilitando o acesso ao financiamento.

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