Uma nova rodada da pesquisa Futura/Apex divulgada nesta sexta-feira (22) mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliando a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro nas simulações para a eleição presidencial de 2026. O levantamento foi divulgado dias após a repercussão de um áudio atribuído ao parlamentar em conversa com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao caso do Banco Master.
No principal cenário testado pelo instituto, Lula aparece com 42,7% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 35,6%. A diferença supera a margem de erro da pesquisa, estimada em 2,2 pontos percentuais. Na rodada anterior, divulgada em 11 de maio, os dois apareciam em situação de empate técnico tanto no primeiro quanto no segundo turno.
A pesquisa ouviu 2 mil pessoas em 878 municípios brasileiros entre os dias 15 e 20 de maio. O levantamento possui nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06529/2026.
A divulgação ocorre após o site Intercept Brasil publicar um áudio em que Flávio Bolsonaro pede apoio financeiro para a produção de um filme a Daniel Vorcaro. O empresário esteve no centro de investigações relacionadas a supostas fraudes envolvendo o Banco Master, caso que voltou ao debate político nos últimos dias.
Cenário sem Flávio muda disputa pela direita
A pesquisa também simulou um cenário sem a participação de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. Nesse caso, Lula aparece com 39% das intenções de voto e mantém a liderança isolada no levantamento.
Na ausência do senador do PL, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema surge em segundo lugar com 13,3%, tecnicamente empatado com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que registra 13,1%.
Os demais nomes aparecem abaixo de dois pontos percentuais. Renan Santos soma 1,7%, seguido por Cabo Daciolo, com 1%. Já Augusto Cury aparece com 0,9%, enquanto Aldo Rebelo registra 0,4%.
O levantamento ainda aponta 7,8% de votos brancos, nulos ou entrevistados que afirmaram não escolher nenhum candidato. Outros 2,8% disseram não saber em quem votariam.
Áudio gerou desgaste político
A nova rodada da pesquisa foi realizada após a circulação do áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. A gravação passou a ser explorada por adversários políticos e ampliou o debate sobre a relação de integrantes da direita com empresários investigados em operações financeiras.
Embora o conteúdo do áudio não tenha relação direta com as investigações sobre o Banco Master, aliados do governo e setores da oposição passaram a usar a repercussão do caso como argumento político nas discussões sobre 2026.
A leitura dentro do entorno governista é de que a crise ajudou a consolidar uma recuperação de Lula nas pesquisas mais recentes, principalmente entre eleitores moderados e segmentos menos alinhados ao núcleo bolsonarista. Já interlocutores da direita avaliam que o cenário ainda está em fase inicial e pode sofrer alterações até o início oficial da corrida eleitoral.

