A Polícia Federal identificou uma suposta rede de repasse de informações sigilosas envolvendo integrantes da própria corporação e interesses ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro. Entre os alvos da nova fase da Operação Compliance Zero está a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva, afastada preventivamente do cargo por decisão do ministro André Mendonça.
A medida também determinou a proibição de saída do país e a apreensão do passaporte da delegada em até 24 horas. Segundo a investigação, ela teria desempenhado papel considerado estratégico no fornecimento de dados reservados ao grupo investigado por atuar em favor da família de Daniel Vorcaro.
De acordo com a Polícia Federal, Valéria e o marido, o policial federal aposentado Francisco José Pereira da Silva, funcionariam como uma espécie de “espiões” dentro da corporação. A suspeita é de que informações internas sobre investigações em andamento fossem acessadas e compartilhadas de maneira ilegal.
Acesso sem autorização
As apurações apontam que a delegada teria acessado, sem justificativa funcional, um inquérito conduzido pela Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo, apesar de estar lotada em Minas Gerais desde 2006 e sem qualquer atribuição relacionada ao caso.
Segundo a PF, após consultar o procedimento, Valéria teria repassado informações ao policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, que também aparece ligado ao grupo investigado. Os investigadores afirmam que o conteúdo compartilhado permitia identificar o foco das investigações e pessoas monitoradas pela corporação.
Embora não tenham sido localizadas conversas diretas entre a delegada e Marilson, a PF sustenta que o marido dela teria atuado como intermediador para reduzir vestígios da participação da policial no esquema investigado.
As suspeitas incluem possíveis crimes de violação de sigilo funcional, corrupção e organização criminosa.
Pai de Daniel Vorcaro foi preso
A operação desta quinta-feira (14) também teve como alvo Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Ele foi preso em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e encaminhado para a sede da Polícia Federal na capital mineira.
A defesa do empresário afirmou que a decisão judicial se baseia em fatos que, segundo os advogados, ainda não tiveram comprovação apresentada formalmente no processo. Os representantes de Henrique Vorcaro também alegam que os elementos ligados às suspeitas de corrupção e uso de policiais como informantes não teriam sido disponibilizados à defesa.
Em nota, o advogado Eugênio Pacceli afirmou que pretende apresentar esclarecimentos para contestar a necessidade da prisão e as acusações atribuídas ao empresário.


