A cidade de Manaus aparece em uma posição desconfortável no cenário educacional brasileiro, no que diz respeito as creches, conforme aponta o levantamento do Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede). Os dados divulgados em parceria com o QEdu evidenciam que a capital amazonense luta para incluir milhares de crianças na rede de ensino básica. O estudo foca em uma fase considerada essencial para o desenvolvimento cognitivo e social dos pequenos cidadãos.
De acordo com a pesquisa, existem gargalos evidentes no atendimento da pré-escola, etapa que atende crianças de quatro e cinco anos e possui obrigatoriedade legal. A cobertura atual na capital alcança apenas 80,2%, colocando o município entre as sete piores capitais do país nesse quesito específico. Esse percentual indica que aproximadamente duas em cada dez crianças nessa faixa etária ainda permanecem fora das salas de aula.
O cenário para a primeiríssima infância, que compreende a faixa de zero a três anos, apresenta indicadores que são ainda mais baixos e complexos de resolver. Segundo o Iede, apenas 12,8% dessa população está matriculada em unidades de educação infantil, o que representa o segundo pior desempenho entre as capitais. Tal marca distancia a cidade significativamente da meta mínima de 60% estabelecida pelo novo Plano Nacional de Educação.
Conforme mostra o levantamento, o Norte do país enfrenta barreiras históricas que dificultam a expansão das vagas e da infraestrutura física escolar. A falta de unidades próximas às residências impacta diretamente o cotidiano das famílias que dependem exclusivamente do sistema público para cuidar dos filhos. Em muitos bairros periféricos, a busca por uma vaga em creche se torna uma jornada incerta e demorada para os pais.
Reflexos sociais
A gestão pública municipal lida agora com o desafio de converter esses indicadores em vagas reais para atender a demanda crescente da população urbana. Segundo especialistas, a carência de atendimento na base educacional acaba gerando um efeito cascata que amplia desigualdades sociais desde os primeiros anos. Além do prejuízo pedagógico para os menores, a ausência de suporte escolar impede que muitos responsáveis busquem emprego.


