A senadora Roberta Acioly (Republicanos-RR) oficializou seu posicionamento contrário à indicação de Jorge Messias para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). O anúncio ocorre nesta quarta-feira (29), data em que o atual advogado-geral da União enfrenta a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Para a parlamentar roraimense, a Corte não deve funcionar como um braço político, defendendo que o indicado precisa demonstrar independência absoluta em relação ao governo.
A indicação do Planalto, embora anunciada há cinco meses pelo presidente Lula, teve sua mensagem oficial enviada ao Senado somente no início de abril. Acioly sustenta que a escolha deve prezar pela imparcialidade e segurança jurídica, critérios que ela considera feridos pela proximidade do indicado com o Executivo. O movimento da senadora sinaliza uma pressão das bancadas conservadoras da região Norte, que agora analisam o custo político de apoiar o nome de Jorge Messias.
O rito de Messias no Legislativo começa pela CCJ e, caso aprovado, segue para o plenário do Senado, onde são necessários ao menos 41 votos favoráveis em escrutínio secreto. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), embora tenha acelerado o cronograma nesta semana, mantém uma postura estratégica sobre o ritmo da votação final. A articulação do governo foca em garantir a aprovação célere ainda hoje, tentando evitar que o desgaste político da sabatina fragilize a base aliada.
Norte se divide
A bancada nortista atua hoje como um termômetro decisivo para a aprovação do novo ministro, revelando interesses distintos entre os estados. No Amazonas, parlamentares como Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB) lideram a articulação governista para consolidar os votos necessários na CCJ. Por outro lado, senadores de estados como Rondônia e Acre mantêm o silêncio, pesando a pressão de bases eleitorais conservadoras contra a necessidade de manter canais abertos com o Palácio do Planalto.
No Pará, o favoritismo é pelo voto favorável, acompanhando o alinhamento histórico do MDB paraense com as pautas do governo federal no Judiciário. Já o Amapá aguarda a sinalização final de Alcolumbre, que detém o poder de ditar o “tempo” do plenário e influenciar indecisos de última hora. O resultado da votação dependerá da capacidade de Jorge Messias em convencer os parlamentares da região sobre temas sensíveis, como liberdade religiosa e limites do ativismo judicial.


