Investigado por suspeitas de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro, o prefeito de Ananindeua, Daniel Santos (Podemos), deixou o cargo, na quinta-feira (2), para disputar o Governo do Pará. A saída ocorre dentro do prazo de desincompatibilização, mas acontece em meio ao avanço de apurações que atingem diretamente sua gestão.
As investigações se desdobram em diferentes frentes conduzidas pelo Ministério Público do Pará e têm origem em suspeitas de irregularidades em contratos da gestão municipal. Um dos principais desdobramentos foi a Operação Hades, deflagrada em agosto de 2025, que apura fraude em licitações, corrupção ativa e passiva e atuação de um possível esquema envolvendo agentes públicos e empresas.
Em 2023, a administração de Daniel Santos já havia entrado no radar dos órgãos de controle por indícios de superfaturamento na área da saúde. À época, levantamentos apontaram cobranças fora do padrão, como agulhas adquiridas por valores elevados e uso desproporcional de insumos hospitalares o que teria resultado em um prejuízo de R$ 261 milhões aos cofres públicos.
Durante a operação, houve mandados de busca, apreensão e medidas judiciais para garantir a coleta de provas. As apurações apontam para um possível esquema de direcionamento de contratos e uso de empresas para movimentação de recursos públicos. Em paralelo, o Ministério Público chegou a pedir o bloqueio de mais de R$ 130 milhões em bens ligados ao prefeito e a investigados.
Os procedimentos seguem sob análise do Judiciário e ainda não há condenação. Parte do caso chegou ao Supremo Tribunal Federal, que discutiu questões processuais sobre a condução das investigações, sem julgamento de mérito até agora.

Mansão, empresas e repercussão nacional
Outro eixo da investigação envolve a compra de um imóvel de alto padrão fora do estado, que passou a ser tratado como peça central nas apurações sobre patrimônio. Reportagem exibida pelo Fantástico mostrou documentos e transações que indicariam que empresas com contratos com a prefeitura teriam repassado valores usados na aquisição da casa.
Segundo os investigadores, há indícios de um padrão de movimentação financeira em que empresas recebiam recursos públicos e, em seguida, transferiam valores para pagamentos relacionados ao imóvel. A suspeita é de que o esquema envolva lavagem de dinheiro e uso indireto de recursos da administração municipal.
O imóvel, conforme a apuração, foi adquirido por meio da empresa Agropecuária J D LTDA, ligada ao agora ex-prefeito Daniel Santos. O contrato de compra e venda registra valor de R$ 2,5 milhões, mas a estimativa total pode alcançar cerca de R$ 4 milhões ao considerar a estrutura completa da residência, já equipada para uso.
Disputa eleitoral sob pressão
Mesmo com as investigações em andamento, Daniel Santos entra na disputa pelo governo estadual e passa a atuar politicamente fora da Prefeitura. A candidatura se consolida em um cenário em que os desdobramentos judiciais devem influenciar diretamente o debate eleitoral no Pará.
Em manifestações públicas, Daniel nega irregularidades e afirma ser alvo de perseguição política. A defesa sustenta que as investigações apresentam falhas processuais e que a origem do patrimônio é lícita.
O andamento dos inquéritos, possíveis denúncias formais e decisões judiciais devem definir o peso dessas acusações na campanha, em um cenário em que política e investigação caminham lado a lado.


