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CPI aprova ofensiva contra suposto braço financeiro do PCC na Faria Lima e investiga Banco Master

Comissão investiga esquema que pode ter movimentado cerca de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024 por meio de postos de combustíveis, fundos de investimento e empresas ligadas ao mercado financeiro.

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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o crime organizado no Senado aprovou, nesta quarta-feira (11), mais de 20 requerimentos com pedidos de quebra de sigilo, solicitações de informações e convocações de investigados. As medidas têm como foco apurar supostas conexões entre o sistema financeiro e o Primeiro Comando da Capital (PCC), especialmente em operações realizadas na região da Faria Lima, em São Paulo, e em atividades relacionadas ao Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

Entre os alvos da investigação está o grupo denominado “A Turma”, estrutura de comunicação ligada a Vorcaro que, segundo investigações, teria sido utilizada para monitorar e intimidar adversários do banqueiro. O grupo também foi mencionado na decisão judicial que determinou a prisão do empresário.

A comissão aprovou ainda a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado como aliado de Vorcaro. Mourão foi preso pela Polícia Federal (PF) na semana passada e, segundo informações das autoridades, atentou contra a própria vida após a detenção. A CPI também solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) informações sobre o caso.

Outro convocado para prestar depoimento é Fabiano Campos Zettel, cunhado do dono do Banco Master. O requerimento foi apresentado por senadores com base em indícios levantados na Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal. Segundo justificativa do senador Humberto Costa (PT-PE), as investigações indicam que Zettel possui conexões financeiras com a Reag Investimentos e com o Banco Master, instituições apontadas como possíveis canais de movimentação de recursos ligados ao PCC.

Banco Central

A CPI também aprovou a convocação do ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, e do ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, Bellini Santana, ambos afastados de suas funções.

De acordo com o senador Humberto Costa, relatório da Polícia Federal aponta que os dois teriam atuado como consultores informais de Daniel Vorcaro. Segundo o parlamentar, os ex-integrantes do Banco Central teriam contribuído para facilitar a aquisição do então Banco Máxima — posteriormente renomeado como Banco Master — além de, supostamente, repassar informações sigilosas ao banqueiro sobre operações conduzidas pela autoridade monetária.

Ainda no âmbito das investigações, a comissão aprovou a quebra de sigilos da empresa Varajo Consultoria, ligada a Vorcaro. A companhia teria participado de uma proposta de pagamento a um servidor do Banco Central. O responsável pela empresa, Leonardo Augusto Furtado Palhares, também foi convocado para prestar esclarecimentos.

Esquema na Faria Lima

Empresários investigados por suspeita de envolvimento em lavagem de dinheiro do PCC no mercado financeiro da capital paulista também tiveram os sigilos bancário, fiscal e telefônico quebrados.

Os requerimentos se baseiam em informações da Operação Carbono Oculto, que identificou um esquema de lavagem de dinheiro da organização criminosa. Entre os alvos está Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, apontado como responsável pela gestão de distribuidoras de combustíveis que teriam sido utilizadas para movimentar recursos ilícitos.

Segundo o senador Humberto Costa, o esquema teria movimentado cerca de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, utilizando uma rede de postos de combustíveis e fundos de investimento para ocultar a origem dos recursos.

Outro investigado com sigilos quebrados foi Mohamad Hussein Mourad, apontado como um dos principais operadores do esquema de lavagem de dinheiro do PCC e que, segundo as investigações, teria conexões com o Banco Master.

A comissão também determinou a quebra de sigilos do empresário Francisco Maximiano, proprietário da Precisa Medicamentos, e de Danilo Berndt Trent, apontado como sócio oculto da empresa. A Precisa já foi investigada em apurações relacionadas à compra de vacinas durante o período da pandemia.

De acordo com Humberto Costa, empresas ligadas a Maximiano teriam sido utilizadas como instrumentos para lavagem de dinheiro da organização criminosa e para a realização de fraudes contra o sistema financeiro e o patrimônio público.

Grupo “A Turma”

Outro foco das deliberações da CPI foi o grupo “A Turma”, apontado como responsável por monitorar e pressionar adversários de Daniel Vorcaro. Investigadores afirmam que o grupo teria sido utilizado para sustentar um esquema de fraudes no mercado financeiro que poderia alcançar cerca de R$ 50 bilhões.

Relatórios citados nas investigações indicam que integrantes do grupo chegaram a discutir a possibilidade de simular um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, como forma de intimidação após a publicação de reportagens críticas ao banqueiro.

Entre as medidas aprovadas, está a convocação de Ana Cláudia Queiroz de Paiva, que, segundo apurações, teria participado da gestão de pagamentos destinados a custear as atividades do grupo.

A CPI também autorizou a quebra de sigilos de Marilson Roseno da Silva, escrivão aposentado da Polícia Federal, preso preventivamente sob suspeita de atuar como um dos principais operadores da estrutura.

Outras empresas vinculadas ao Banco Master também tiveram sigilos quebrados, entre elas a King Participações Imobiliárias e a King Motors Locação de Veículos. A comissão determinou ainda a quebra de sigilos de empresas ligadas ao proprietário de uma aeronave utilizada para transportar aliados de Vorcaro, além da solicitação da lista de passageiros que utilizaram o avião.

Segundo o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), informações divulgadas pela imprensa e indícios levantados na Operação Compliance Zero sugerem que autoridades públicas podem ter utilizado aeronaves particulares vinculadas ao grupo investigado.

Por fim, a comissão aprovou convite para que o empresário Vladimir Timerman preste depoimento. Ele afirma ter denunciado, ao longo de vários anos, supostas irregularidades envolvendo o Banco Master.

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