O empreendedorismo feminino representa 44,3% das empresas formalizadas em Roraima, segundo dados do DataSebrae. Atualmente, 22.736 negócios ativos no estado estão sob gestão de mulheres, o que corresponde a quase metade do total de empreendimentos registrados.
O levantamento também aponta crescimento expressivo no último ano. Em 2024, Roraima contabilizava 17.931 empresas lideradas por mulheres. Em 2025, o número chegou a 24.296, um aumento de 35,5%. Em termos absolutos, mais de seis mil empresas passaram a ter mulheres à frente da gestão no período de doze meses.
Capital concentra maior número de empresas femininas
A capital Boa Vista concentra o maior volume de empresas sob liderança feminina. Das 42.018 empresas ativas no município, 18.940 são comandadas por mulheres, o equivalente a 45,1% do total.
O percentual indica que a participação feminina na gestão empresarial da capital se aproxima do equilíbrio em relação aos homens. Boa Vista também reúne o maior número de micro e pequenos empreendimentos do estado, o que contribui para o volume de empresas lideradas por mulheres.
Municípios do interior mantêm proporções semelhantes
Nos municípios do interior, os índices permanecem próximos à média estadual. Em Mucajaí, das 886 empresas ativas, 399 estão sob gestão feminina (45%). Em Amajari, são 139 empresas lideradas por mulheres entre 309 registradas, também com 45%.
Em Bonfim, 283 das 634 empresas ativas são comandadas por mulheres, representando 44,6%. Pacaraima contabiliza 390 empresas femininas entre 896 ativas (43,5%).
Já Iracema registra 151 empresas sob gestão feminina entre 355 existentes (42,5%). Em Alto Alegre, são 230 empresas lideradas por mulheres entre 556 ativas, enquanto Uiramutã soma 99 empresas femininas entre 240 registradas.
Os dados indicam que a presença feminina no empreendedorismo não se restringe à capital, mantendo proporções semelhantes mesmo em municípios com menor número de empresas.
Pequenos negócios predominam
A maior parte das empresas lideradas por mulheres em Roraima está concentrada nas categorias de menor porte. Das 22.736 empresas femininas registradas, 10.005 são Microempreendedoras Individuais (MEI) e 8.734 estão classificadas como Microempresas. As Empresas de Pequeno Porte (EPP) somam 1.800 registros.
Assim, mais de 80% dos negócios sob gestão feminina pertencem à base do sistema empresarial, formada majoritariamente por empreendimentos de pequeno porte, com estrutura reduzida e menor volume de investimento inicial.
Faixa etária predominante
A maior concentração de empresárias está entre 30 e 34 anos, com 3.343 mulheres à frente de empresas. Em seguida aparecem as faixas de 35 a 39 anos, com 3.080 empresárias, e de 25 a 29 anos, com 2.967. Somadas, essas três faixas etárias reúnem mais de nove mil empreendedoras no estado.
Setores com maior participação feminina
O setor de Saúde e Bem-Estar concentra 16,7% das empresas lideradas por mulheres em Roraima. Moda e Confecção representa 15,7%, enquanto Serviços de Alimentação responde por 10,1%. Juntos, os três segmentos somam mais de 40% dos negócios femininos no estado.
Também há presença significativa em comércio varejista, educação, marketing, serviços administrativos e atividades ligadas à economia criativa.
Segundo a gestora do Sebrae Delas em Roraima, Meirelene Marinho, o perfil das mulheres que buscam apoio para empreender tem mudado. “Muitas mulheres procuram capacitação já pensando em organizar melhor o negócio e ampliar a atuação no mercado”, afirmou. De acordo com ela, as principais demandas estão relacionadas à gestão financeira, marketing e organização empresarial.
Desafios e trajetória empreendedora
Apesar do crescimento, as empreendedoras ainda enfrentam desafios como acesso a crédito, capital de giro e organização financeira. Em Roraima, fatores como logística e o tamanho do mercado consumidor também influenciam o ritmo de expansão dos negócios. A conciliação entre gestão empresarial e responsabilidades familiares também é apontada como uma realidade frequente.
A trajetória de Keylla Tayná Gonçalves de Azevedo, de 36 anos, ilustra esse movimento. Após 22 anos atuando como manicure, ela decidiu migrar para a confeitaria em razão de problemas de coluna e da necessidade de reorganizar a rotina familiar. “Comecei a enxergar a confeitaria como uma oportunidade de trabalhar em casa e organizar melhor meu tempo”, relatou.
O que começou como renda extra tornou-se atividade principal. Há dois anos, ela formalizou o negócio de confeitaria artesanal, passando a trabalhar com encomendas de bolos, kits festa e sobremesas. Em 2025, conquistou o terceiro lugar no Prêmio Mulher de Negócios. “Foi um momento importante para acreditar mais no meu trabalho”, disse.
Programa de apoio
Para apoiar mulheres que desejam empreender ou estruturar seus negócios, o Sebrae desenvolve o programa Sebrae Delas, que oferece capacitações, consultorias e trilhas de conhecimento voltadas ao desenvolvimento empresarial feminino.
Segundo Meirelene Marinho, o objetivo é auxiliar as empresárias na organização da gestão e no planejamento do crescimento. As inscrições para o ciclo 2026 seguem abertas enquanto houver vagas. O cadastro pode ser feito por meio de formulário online. Para empresas enquadradas como Microempresa (ME) e Empresa de Pequeno Porte (EPP), o pagamento da adesão é realizado por link específico. Informações adicionais podem ser obtidas pelo telefone (92) 99151-4054.


