Considerada “a preferida” do PL em Roraima e causadora de discórdia nos bastidores, Gerlane Baccarin amargou derrota na disputa por uma das vagas à Câmara Federal no pleito domingo, 4. Nem mesmo os R$ 2,5 milhões do Fundo Partidário para turbinar sua campanha foi o suficiente.
Com 100% das urnas apuradas, Gerlane terminou na 12ª colocação entre os candidatos a deputado federal, com 11.486 votos. O PL conquistou uma das oito vagas do estado, com Daniel Trindade, que obteve 16.675 votos. Gerlane recebeu 212,5% a mais verba que Daniel.
O resultado coloca novamente em evidência a distribuição dos recursos eleitorais do partido em Roraima, tema acompanhado pelo O FATO durante a campanha.
Aposta de R$ 2,5 milhões
Em setembro, o O FATO revelou que Gerlane havia recebido R$ 2,5 milhões da Direção Nacional do PL. Naquele momento, o montante correspondia a aproximadamente 48% dos R$ 5,2 milhões repassados pelo diretório nacional a um grupo de sete candidatos a deputado federal analisados pelo portal.
A diferença para os demais integrantes da chapa era expressiva. Daniel Trindade havia recebido R$ 800 mil; Professora Katia Araújo e Joana Dark, R$ 500 mil cada; enquanto Juiz Helder Girão, Leonel Oliveira e Lincoln apareciam com R$ 300 mil cada.
Somados, cinco desses candidatos — Daniel Trindade, Katia Araújo, Joana Dark, Leonel Oliveira e Lincoln — haviam recebido R$ 2,4 milhões, ou seja, R$ 100 mil a menos que o valor destinado exclusivamente à campanha de Gerlane.
O aporte destinado à candidata também chamou atenção por alcançar o mesmo patamar dos R$ 2,5 milhões que haviam sido destinados pelo PL à candidatura de Arthur Henrique ao Governo de Roraima.
Recursos não se converteram em mandato
Apesar da estrutura financeira disponibilizada, Gerlane não conseguiu transformar o investimento partidário em uma cadeira na Câmara.
O resultado ganha ainda mais destaque porque Daniel Trindade, também do PL e contemplado inicialmente com um valor significativamente menor pela Direção Nacional, terminou como o deputado federal eleito pela legenda em Roraima.
A concentração de recursos em Gerlane já havia provocado questionamentos internos durante a campanha. Candidatos ouvidos pelo O FATO reclamavam da diferença nos repasses e da ausência de critérios públicos que explicassem por que uma única candidatura proporcional havia recebido um investimento tão superior ao destinado a outros integrantes da chapa.
Belota: sem verba e o mais votado
O contraste também aparece na disputa pela Assembleia Legislativa.
Em 14 de setembro, o O FATO mostrou que o deputado estadual Marcinho Belota, candidato à reeleição pelo PL, ainda não havia recebido recursos do fundo eleitoral repassados pela Direção Nacional da legenda. Na ocasião, apoiadores haviam organizado uma mobilização e arrecadado mais de R$ 16 mil em doações para ajudar a financiar a campanha.
Nas urnas, Belota seguiu caminho oposto ao observado na candidatura milionária de Gerlane: foi reeleito e terminou como o deputado estadual mais votado de Roraima, com 11.476 votos.
Os dois resultados expõem um contraste dentro da estratégia eleitoral do PL no estado. De um lado, uma candidatura à Câmara Federal recebeu R$ 2,5 milhões da direção partidária, mas não conquistou mandato. Do outro, um candidato à Assembleia que chegou à reta final da campanha sem recursos do fundo nacional terminou no topo da votação para deputado estadual.

