O último investigado que ainda era procurado na operação que apura o roubo de aproximadamente 30 quilos de ouro e dinheiro, avaliados em mais de R$ 23 milhões, foi preso nesta quarta-feira (26), em Boa Vista. Com a captura, os oito suspeitos identificados durante as investigações foram localizados e tiveram medidas judiciais cumpridas.
Segundo a Polícia Civil de Roraima (PCRR), S.A.S.S., de 29 anos, apresentou-se na sede da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), no Centro da capital, após o avanço das diligências realizadas para encontrá-lo.
Contra o investigado havia um mandado de prisão preventiva expedido pela Vara de Entorpecentes e Organizações Criminosas do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR).
De acordo com a decisão judicial, existem provas da ocorrência dos crimes e indícios suficientes de autoria. A prisão preventiva foi determinada para garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal e aplicação da lei penal.
Cerco ao último investigado
Desde a deflagração da operação, as equipes policiais intensificaram as buscas pelo suspeito. Conforme a PCRR, o cruzamento de informações e o avanço das diligências reduziram as possibilidades de localização até que S.A.S.S. decidiu comparecer à delegacia.
Ao se apresentar, o investigado teve imediatamente cumprido o mandado de prisão preventiva.
A captura encerra a fase de diligências de campo da operação. O inquérito, entretanto, continuará sendo finalizado pela Polícia Civil antes de ser encaminhado à Justiça.
Viatura da Polícia Civil teria sido usada no crime
A investigação teve início na Corregedoria-Geral de Polícia (Corregepol), após uma denúncia de roubo. Durante as primeiras apurações, os investigadores identificaram que uma viatura descaracterizada da própria Polícia Civil de Roraima teria sido utilizada na execução do crime.
A descoberta levou os investigadores ao oficial investigador M.H.A.S., de 51 anos.
Diante da dimensão do caso, a Corregepol solicitou apoio da Draco para aprofundar as investigações. O Ministério Público de Roraima (MPRR), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Promotoria de Justiça do Controle Externo, também passou a acompanhar as diligências.
Segundo o delegado titular da Draco, Hugo Cardias, o aprofundamento das investigações permitiu reconstruir a dinâmica do crime e identificar outros suspeitos, alguns deles localizados fora de Roraima.
Prisões chegaram a três estados
A operação resultou em prisões realizadas em Roraima, Santa Catarina e Amazonas.
No dia 21 de agosto, quatro investigados foram presos em Roraima e Santa Catarina. Já nesta quarta-feira (26), outros dois policiais foram presos no Amazonas, em uma ação que contou com apoio da Polícia Federal.
Com o cumprimento da prisão de S.A.S.S. em Boa Vista, a Polícia Civil informou que todos os oito investigados identificados na apuração foram localizados.
Justiça bloqueou cerca de R$ 12 milhões
Além das prisões, a investigação resultou no bloqueio judicial de aproximadamente R$ 12 milhões em bens e valores relacionados aos investigados.
A medida patrimonial foi autorizada pela Justiça com base nos elementos reunidos durante a investigação.
Somados, o valor estimado do ouro e do dinheiro roubados, superior a R$ 23 milhões, e o montante atingido pelo bloqueio judicial mostram a dimensão financeira do caso investigado pela Polícia Civil.
Policial é alvo de processo administrativo
A investigação criminal também provocou medidas internas na Polícia Civil. A Corregepol instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta do oficial investigador M.H.A.S.
A Delegacia-Geral determinou ainda a suspensão do porte de arma e o afastamento do policial das funções pelo período de 60 dias, além das medidas cautelares determinadas judicialmente.
O procedimento administrativo tramita independentemente da investigação criminal, com garantia de contraditório e ampla defesa ao servidor.
Com o encerramento das diligências de campo, a Polícia Civil deverá agora concluir o inquérito e encaminhar o procedimento à Justiça para as providências cabíveis.

