Um oficial investigador da Polícia Civil de Roraima (PCRR) está entre quatro pessoas presas nesta sexta-feira (21) durante uma operação que apura a participação de um grupo em roubos no estado. Em um dos crimes investigados, aproximadamente 30 quilos de ouro e R$ 800 mil em dinheiro teriam sido levados. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 12 milhões em bens e valores relacionados aos investigados.
A operação foi deflagrada pela Corregedoria-Geral de Polícia (Corregepol) e pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), com participação do Ministério Público de Roraima (MPRR), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Controle Externo da Atividade Policial.
Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão temporária e cinco de busca e apreensão. As ordens judiciais foram executadas simultaneamente em Roraima e em Florianópolis, Santa Catarina.
Entre os presos está o oficial investigador M.H.A.S., de 51 anos. Também foram detidos R.C.P., de 41 anos, apontada pela polícia como cunhada do servidor; G.S.S., de 35 anos; e I.L.B.G., de 33 anos, localizado em Florianópolis.
Viatura teria sido usada nos crimes
A investigação teve início em janeiro deste ano, após a Corregepol receber uma denúncia relacionada a um roubo. Durante as diligências, os investigadores identificaram indícios de que uma viatura da própria Polícia Civil estaria sendo utilizada na prática dos crimes.
A apuração levou ao oficial investigador que utilizava o veículo. Segundo a PCRR, os elementos reunidos até o momento apontam para a suposta participação do servidor em pelo menos dois roubos, ocorridos em janeiro e março deste ano.
Diante da gravidade e da complexidade do caso, a Corregepol solicitou à Delegacia-Geral a formação de uma força-tarefa, com a inclusão da Draco nas investigações.
“A investigação começou com a apuração de um roubo e, durante as diligências, os policiais identificaram que uma viatura da Polícia Civil estava sendo utilizada na prática dos crimes. A partir disso, foi possível identificar o policial que utilizava o veículo e avançar na apuração, que apontou a participação dele em pelo menos dois roubos, ocorridos em janeiro e março deste ano. Pela gravidade e complexidade dos fatos, a Corregepol solicitou a inclusão da Draco nas investigações”, explicou o delegado Hugo Cardias, titular da unidade.
30 quilos de ouro e R$ 800 mil
Um dos episódios investigados envolve o roubo de aproximadamente 30 quilos de ouro e R$ 800 mil em espécie. Conforme a Polícia Civil, as diligências permitiram reconstruir a dinâmica dos crimes e reunir elementos sobre a suposta participação dos investigados.
Com o avanço das apurações, a Justiça autorizou as prisões temporárias, buscas e apreensões e outras medidas cautelares.
Durante o cumprimento de uma das buscas, o oficial investigador também foi autuado em flagrante por suspeita de fraude processual. De acordo com a PCRR, ele teria danificado o próprio telefone celular durante a operação.
A Corregepol arbitrou fiança, que não foi paga. Com isso, o servidor permaneceu à disposição da Justiça.
Justiça bloqueia R$ 12 milhões
Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 12 milhões em bens e valores relacionados aos investigados. Conforme a Polícia Civil, a medida tem como objetivo preservar patrimônio que possa ter ligação com os crimes apurados.
“O bloqueio de aproximadamente R$ 12 milhões foi autorizado judicialmente a partir dos elementos reunidos na investigação e faz parte das medidas adotadas para preservar valores e bens que possam estar relacionados aos crimes investigados”, afirmou Hugo Cardias.
A delegada-geral da Polícia Civil, Simone Arruda, informou que a Corregedoria também está adotando medidas administrativas relacionadas ao servidor investigado.
“A Polícia Civil não faz distinção quando se trata da apuração de possíveis crimes. A investigação segue os mesmos critérios, independentemente de quem esteja sendo investigado. No caso de servidores da própria instituição, além da apuração criminal, são adotadas as medidas administrativas cabíveis, sempre assegurando o contraditório e a ampla defesa”, declarou.
As investigações continuam para esclarecer a participação de cada suspeito, a dinâmica dos roubos e identificar possíveis novos envolvidos. Por causa do sigilo da apuração, a Polícia Civil informou que outros detalhes não serão divulgados neste momento.

