O piloto Altevir Edson de Alencar, de 72 anos, foi resgatado após passar mais de 24 horas desaparecido em uma área de mata fechada em Benevides, na região metropolitana de Belém. Ele pilotava um avião de pequeno porte que caiu na última sexta-feira (15) durante um voo sobre a região.
Segundo relatos da família, o acidente aconteceu após um urubu atingir uma das hélices da aeronave. O impacto teria quebrado parte do vidro do monomotor ainda durante o voo, provocando danos na estrutura do avião.
Mesmo diante da situação, Altevir conseguiu controlar a aeronave e realizar um pouso forçado em uma área pertencente a uma mineradora. Depois de deixar o avião, porém, o piloto acabou se perdendo em meio à vegetação densa da floresta.
As buscas começaram ainda na sexta-feira e mobilizaram equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Pará. Drones, cães farejadores e até uma aeronave foram usados na tentativa de localizar o piloto desaparecido.
Altevir foi encontrado pelos bombeiros na manhã de sábado (16). Ele recebeu os primeiros socorros ainda dentro da área de mata e precisou ser retirado em uma maca por trechos de floresta e rio até alcançar uma área habitada, de onde foi levado para atendimento médico.
Familiares informaram que o piloto sofreu ferimentos, mas não teve fraturas. O estado de saúde dele não havia sido divulgado oficialmente até a publicação desta reportagem.
Piloto dizia ter construído o próprio avião
Apaixonado por aviação desde a infância, Altevir costumava compartilhar nas redes sociais detalhes da trajetória como piloto. Em vídeos publicados anteriormente, ele contou que sonhava em trabalhar com aviação e também atuar como paraquedista.
Sem recursos financeiros para adquirir uma aeronave pronta, o piloto afirmou que participou diretamente da construção do próprio avião. Segundo relatos feitos por ele nas redes sociais, cerca de 90% da estrutura da aeronave teria sido montada pelo próprio Altevir.
Dados da Agência Nacional de Aviação Civil apontam que o monomotor envolvido no acidente é um modelo Aerobravo Bravo 700, fabricado em 2005.
Ainda conforme registros da Anac, a aeronave era operada pelo piloto desde 2016 e estava regularizada. O próprio Altevir já havia comentado nas redes sociais sobre a documentação e o histórico do avião utilizado nos voos.



