O partido Democracia Cristã confirmou oficialmente a pré-candidatura do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa à Presidência da República e provocou um racha interno na legenda. O anúncio encerra meses de articulação em torno do nome do ex-presidente da Câmara Aldo Rebelo, que reagiu publicamente e classificou a decisão como uma “afronta”.
A mudança foi oficializada por meio de nota divulgada no sábado (16) pelo presidente nacional da sigla, João Caldas. No comunicado, o dirigente afirmou que Joaquim Barbosa representa uma alternativa de “união nacional” e reconstrução da confiança nas instituições brasileiras em meio ao cenário político para as eleições presidenciais.
Nos bastidores, integrantes do partido avaliam que Aldo Rebelo não conseguiu consolidar viabilidade eleitoral nos primeiros movimentos da pré-campanha. A avaliação ganhou força após pesquisa Quaest divulgada na última semana apontar desempenho inferior a 1% nas intenções de voto para o ex-ministro.
Reações
A reação de Aldo Rebelo ocorreu poucas horas após a divulgação da nota oficial do partido. Em comunicado enviado à imprensa, o ex-deputado afirmou que mantém sua pré-candidatura e criticou a condução do processo interno dentro da legenda. Rebelo disse que havia sido escolhido anteriormente pela direção partidária em razão de sua trajetória política e experiência acumulada no Congresso Nacional.
No texto, Aldo afirmou que o anúncio envolvendo Joaquim Barbosa ocorreu sem transparência e contrariou acordos políticos discutidos internamente. O ex-ministro também declarou que a mudança de rumo da legenda desrespeita decisões que, segundo ele, haviam sido construídas de maneira democrática dentro do partido.

Até a manhã desta segunda-feira (18), Joaquim Barbosa não havia se pronunciado publicamente sobre a confirmação de sua pré-candidatura nem sobre as críticas feitas por Aldo Rebelo. O silêncio do ex-ministro ocorre em meio à repercussão política causada pela disputa interna no Democracia Cristã.
Joaquim Barbosa deixou o Supremo Tribunal Federal em 2014 e ganhou projeção nacional ao relatar o julgamento do chamado mensalão, em 2012. Nas eleições de 2022, o ex-ministro declarou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda no primeiro turno, movimento que aproximou seu nome de setores da esquerda e do campo progressista.


