O presidente da Câmara Municipal de Boa Vista, Genilson Costa (Republicanos), cassado por compra massiva de votos e denunciado à Justiça pelo Ministério Público por tráfico de drogas, agora quer alçar novos voos, ele quer ser deputado estadual. Ao editor do O FATO, o parlamentar confirmou a intenção de entrar na disputa no pleito deste ano “se Deus permitir”.
Nos bastidores, aliados são contrários a candidatura de Genilson nas eleições deste ano devido a imagem ‘cansada’ por conta dos escândalos que permeiam seu atual mandato como vereador na capital de Roraima.
A pré-candidatura, no entanto, surge sob a sombra de decisões judiciais que impactaram diretamente o seu mandato atual no Legislativo municipal. Em novembro de 2025, o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) cassou Genilson por compra massiva de votos, em decisão assinada pelo juiz Ângelo Augusto Graça Mendes, é da 5ª Zona Eleitoral de Boa Vista.
À época, O FATO teve acesso a sentença, de mais de 40 páginas, resulta de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) movida pelo Ministério Público Eleitoral (MPE). O órgão apontou que a reeleição de Genilson foi viabilizada por um esquema que teria movimentado mais de R$ 4 milhões de recursos não declarados, utilizados principalmente para pagar entre R$ 100 e R$ 150 por voto.
Investigações
Genilson Costa foi preso em flagrante na véspera da eleição de 2024 pela Polícia Federal. Na ocasião, a Polícia Federal prendeu em flagrante Saulo Emanuel Pires da Costa, em uma casa no bairro Santa Tereza, onde eleitores foram encontrados com dinheiro vivo e material de campanha de Genilson.
Segundo a sentença, Saulo confessou que realizava pagamentos a mando de Jhonas Vieira Veloso, um dos coordenadores da estrutura. No dia seguinte, 6 de outubro, a PF cumpriu mandado de busca na residência do vereador. Foram apreendidos dinheiro em espécie, ouro em estado bruto, armas de fogo, celulares e diversas anotações, incluindo listas detalhadas de eleitores e líderes políticos envolvidos na distribuição de valores.
Fatos Judiciais e Operações
- Sentença de Cassação (Novembro de 2025): O juiz da 1ª Zona Eleitoral de Boa Vista determinou a cassação de Genilson Costa por compra de votos e abuso de poder econômico. A decisão aponta a existência de uma estrutura “complexa e articulada” para a compra massiva de votos, incluindo um grupo de WhatsApp onde votos seriam comercializados por R$ 100,00.
- Investigação de Apoio do Tráfico (Operação da PF – Dezembro de 2024): Genilson Costa foi alvo de uma operação da Polícia Federal que investigou o apoio financeiro do tráfico de drogas para a compra de votos nas eleições municipais. O inquérito aponta que ele teria recebido patrocínio do tráfico para suas atividades parlamentares e para a disputa à presidência da Câmara.
- Investigação de Apoio do Tráfico (PF / Operação Martellus): Genilson foi alvo de uma operação da Polícia Federal que investigou o apoio financeiro do tráfico de drogas para a compra de votos nas eleições municipais. O inquérito aponta que ele teria recebido patrocínio do tráfico para suas atividades parlamentares e para a disputa à presidência da Câmara. O inquérito da Polícia Federal aponta que a campanha foi abastecida com mais de R$ 4 milhões não declarados. A suspeita é de que o esquema de corrupção eleitoral tenha recebido apoio financeiro do tráfico de drogas.
Prisões em flagrante
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- Dezembro de 2024: Foi preso pela PF em operação que investigava o esquema de corrupção eleitoral com dinheiro do narcotráfico.
- Eleições 2024 (Outubro): Foi flagrado com ouro, armas e mais de R$ 20 mil em espécie no dia da eleição.
- Envolvimento de Familiares e Policiais: A sentença de inelegibilidade por oito anos também atingiu a esposa (Natalie da Silva Guimarães) e a irmã (Geisa Costa e Silva) do parlamentar, além de envolver o subcomandante da PM de Roraima, coronel Francisco das Chagas Lisboa, suspeito de vazar informações sobre denúncias.
- Tipificações Criminais: Os investigados foram apontados por crimes como associação criminosa, corrupção eleitoral, lavagem de dinheiro e prevaricação.
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Conluio com a Segurança Pública (Denúncia MPE): Em fevereiro de 2026, o Ministério Público Eleitoral denunciou Genilson e o coronel Francisco Lisboa (então subcomandante da PM). O inquérito da PF revelou que o coronel repassava queixas sigilosas do 190 diretamente ao vereador para que ele pudesse se antecipar a denúncias de crimes eleitorais.
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Envolvimento Familiar: A condenação eleitoral não atingiu apenas o parlamentar, mas também declarou inelegíveis sua esposa, Natalie da Silva Guimarães, e sua irmã, Geisa Costa e Silva, apontadas como operadoras do esquema.
A defesa do parlamentar classificou as prisões como “arbitrárias, injustas e ilegais” e os processos seguem em fase de recurso, o que permite que ele permaneça no cargo de presidente da Câmara enquanto aguarda as decisões finais das instâncias superiores.


