janeiro 12, 2026
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Prefeito de Eirunepé é denunciado por candidata Áurea Marques por ameaças e violência de gênero

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A candidata a prefeita de Eirunepé, Professora Áurea Marques (MDB), denunciou, no dia 4, à Ouvidoria da Mulher do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) o atual gestor do município, Raylan Barroso (União Brasil), por perseguição, ameaças e violência política de gênero durante a campanha eleitoral. Xingamentos misóginos, falas machistas e ofensas pessoais se tornaram comuns em comícios, caminhadas nas ruas e até nas redes sociais. Áurea também denunciou que sua família foi ameaçada de sequestro.

A candidata expôs as agressões em entrevista coletiva concedida à imprensa, virtualmente, nesta quinta-feira, 5. Raylan Barroso não concorre à reeleição por estar no segundo mandato consecutivo como prefeito. Ele apoia como sucessor o candidato Anderson Araújo (PT). Professora declarou que as ações truculentas iniciaram ainda na pré-campanha e se intensificaram nos últimos dias.

Vídeos e fotos mostram correligionários de Raylan intimidando, filmando, cometendo violência psicológica e coagindo a candidata e seus apoiadores durante caminhadas e visitas às residências dos moradores para pedir votos. Homens com balaclava (máscaras usadas por policiais em operações e por criminosos para evitar o reconhecimento) e munidos de arma de fogo acompanham as ações de campanha da professora, onde quer que ela vá. Segundo a professora, os agressores são servidores do município, que cumprem ordens do prefeito.

“Estou vivendo um cenário de guerra. Eles fazem vídeos, tentam criar confusão e desentendimentos para destruir a nossa campanha. A gente não pode sair na rua, são muitas pessoas contratadas pelo apoiador do meu adversário para perseguir a gente e fazer pressão. Eu posso até suportar as humilhações e os xingamentos a todo momento, mas estou preocupada com a segurança da população. Faço um apelo às autoridades e reforço que eu não vou desistir”, disse Professora Áurea durante coletiva de imprensa que foi realizada no formato virtual por ela estar em Eirunepé.

Abuso de poder político e econômico

Segundo a advogada Monalisa Gadelha, que defende a candidata Professora Áurea, além da violência política de gênero, o atual prefeito comete abuso de poder político e econômico por utilizar a máquina pública a favor do aliado, desequilibrando a igualdade do pleito.

Servidores pagos com dinheiro do município fazem campanha para o candidato do prefeito. Além disso, existem evidências de utilização de recursos públicos para financiar atividades que diminuem e desacreditam a imagem e a campanha da Professora Áurea, que é a primeira mulher eirunepeense a disputar o cargo de prefeito no município.

“A conduta do prefeito de Eirunepé tem a intenção clara de agredir a candidata Áurea por sua condição de mulher, atitude além de covarde e violenta, que promove deliberadamente a violência política de gênero e permite a desigualdade de gênero, aumentando as barreiras para que as mulheres participem plenamente da vida pública e política. A violência política de gênero não só viola os direitos da Professora Áurea, como também enfraquece a democracia, limita a diversidade de vozes e perspectivas essenciais para o funcionamento saudável de uma sociedade”, explicou a advogada Monalisa Gadelha.

Órgãos de controle foram acionados

Forças de segurança nacional podem ser enviadas ao município de Eirunepé para garantir a ordem. Além do TRE-AM, a Polícia Federal, o Ministério Público Eleitoral e a Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) foram acionados oficialmente para apuração dos fatos.

Se a denúncia de violência política de gênero for aceita e o juiz julgar procedente os crimes, condenando Raylan Barroso, o prefeito de Eirunepé pode perder os direitos políticos assim como suas funções públicas. O candidato apoiado por ele, Anderson Araújo, também pode perder o registro de candidatura e até ficar inelegível. A pena pelos crimes é 1 a 4 anos de prisão e multa.

Mulher na política

Nascida em Eirunepé, município banhado pelo Rio Juruá e distante mais de 1,1 mil quilômetros de Manaus, no sudoeste do estado, professora Áurea Maria Marques é exemplo de força feminina na política. Ela é gestora pública, graduada em Letras. Já foi secretária de Educação de Itamarati.

Mesmo com o cenário conturbado, a candidata prometeu resistir para estimular outras mulheres a ingressar e permanecer na política. “Vou continuar fazendo minha campanha e continuar lutando pelos direitos das pessoas e, principalmente, pelos direitos da mulher”.

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