O ex-prefeito de Porto Velho e candidato ao Governo de Rondônia, Hildon Chaves (Federação União Progressista), questionou a realização do leilão relacionado aos serviços de água e esgoto no Estado, previsto para ocorrer no fim de setembro. Durante debate entre candidatos promovido nesta terça-feira (2) pela Rema TV, em Porto Velho, ele criticou o momento escolhido para o processo e afirmou que a situação “está cheirando muito mal”.
Hildon argumentou que uma decisão envolvendo o saneamento básico de Rondônia deveria passar por maior discussão pública, principalmente diante do período eleitoral.
“Há décadas que a população da capital e de todo o Estado sofre com a falta de saneamento básico, mas fazer essa privatização na mesma semana da eleição, sem um grande debate público, revela que existe algo de muito podre em toda essa história”, declarou.
Durante a manifestação, o candidato também comparou o processo envolvendo a Companhia de Águas e Esgotos do Estado de Rondônia (Caerd) à concessão da BR-364.
“Será que o Governo do Estado quer repetir o mesmo erro trágico da BR-364?”, questionou.
Leilão
Segundo as informações apresentadas pelo candidato, o leilão está marcado para 29 de setembro, na Bolsa de Valores de São Paulo, e envolve um contrato com duração prevista de 35 anos, com valor estimado em R$ 8,47 bilhões.
Hildon voltou a questionar o cronograma adotado pelo Governo de Rondônia e afirmou considerar “muito estranha” a realização do processo próximo à eleição.
“Estamos vendo a privatização da BR-364 se repetir diante dos nossos olhos e ninguém fala nada; mas depois da eleição, quando a ficha cair, vai ser tarde demais”, afirmou.
O candidato também criticou o fato de o processo ocorrer no fim do atual mandato estadual. Segundo ele, uma decisão dessa dimensão deveria ter sido discutida anteriormente.
“O meu questionamento é que todo esse movimento ocorra justamente no apagar das luzes, depois de atravessar praticamente todos os oito anos de mandato sem tocar no assunto. Justo agora, seis dias antes da eleição”, declarou.
Hildon também associou as críticas à situação financeira do Estado e voltou a questionar as circunstâncias do processo.
“O Governo tomar uma decisão dessa importância, com todos os problemas que estão aparecendo, com o Estado literalmente falido, não tem como não achar estranho”, disse.
Ao encerrar a manifestação durante o debate, o candidato afirmou: “Depois não adianta aparecer na TV e dizer que era contra”.

