A deputada estadual Brena Dianná (UB) ergueu sua voz na sessão plenária da Assembleia Legislativa do Amazonas nesta terça-feira (1/9) para denunciar o “silenciamento institucional” da comunidade surda e exigir a garantia de direitos.
Brena destacou os desafios diários que esse grupo enfranta para acessar serviços básicos: ausência de intérpretes em delegacias, hospitais, escolas, departamentos públicos, bancos e empresas. No Amazonas vivem entre 100 e 154 mil pessoas com deficiência auditiva, das quais cerca de 28 mil são surdas.
“Muitas vezes essas pessoas não conseguem registrar denúncias na polícia pela falta de acessibilidade comunicacional e acabam ficando ainda mais expostas em momentos de extrema vulnerabilidade. Não há intérprete. Isso respinga na vítima que não consegue expressar toda a dor que está sentindo”, afirmou a deputada.
Já dentro do sistema público de saúde, como UBS e SPAs, a falta de profissionais capacitados para lidar o público compromete diagnósticos e tratamentos, além de ferir o princípio do sigilo médico e impossibilitar a autonomia.
Especialmente nas delegacias, mulheres surdas vítimas de violência doméstica enfrentam barreiras graves para denunciar agressores por não haver atendimento especializado.
Setembro Azul
Na sessão, Brena fez referência ao “Setembro Azul”, mês dedicado à conscientização sobre acessibilidade, cultura e direitos da comunidade surda.
A deputada cobrou medidas de acessibilidade e apresentou na ALEAM um pedido para realizar uma sessão especial em homenagem ao Dia Nacional da Pessoa Surda, celebrado no próximo 26 de setembro.
“Queremos dar espaço institucional para reconhecer a trajetória, a cultura e a contribuição das pessoas surdas, além de valorizar intérpretes, educadores e entidades que atuam pela inclusão”, ressaltou.
Outro requerimento apresentado por Brena solicita à Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) informações sobre a implementação da Lei Estadual nº 5.345/2020, que garante profissionais aptos em Libras nas unidades de saúde.
“Queremos um detalhamento sobre quais hospitais, prontos-socorros, maternidades e SPAs oferecem atendimento acessível, como se organiza a cobertura desses profissionais e quais protocolos existem para situações de urgência e emergência”, ressaltou a parlamentar.
Setembro Amarelo
A deputada também lembrou que neste mês ocorre a campanha “Setembro Amarelo”, que conscientiza sobre o suicídio e estimula a valorização da vida. Brena recomendou a ampliação dos debates sobre políticas públicas voltadas à saúde mental.
“A saúde mental é muito importante. Quantas pessoas já perdemos por estarem passando por essa situação? Precisamos garantir profissionais adequados para prestar este tipo de atendimento em toda a rede pública de saúde”, concluiu.

