A Justiça Eleitoral do Pará suspendeu a divulgação da pesquisa AtlasIntel nº PA-04533/2026 após identificar que o questionário continha perguntas sobre intenção de voto para presidente da República, apesar de o levantamento ter sido registrado oficialmente apenas para as disputas de governador e senador.
A decisão liminar foi assinada na noite desta quinta-feira (20) pela juíza auxiliar da propaganda eleitoral Marielma Ferreira Bonfim Tavares, do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA). A pesquisa foi divulgada pelo instituto na manhã desta quinta.
A pesquisa havia sido registrada no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle) em 14 de agosto e tinha divulgação prevista para o dia 20. Conforme os autos, o levantamento previa 1.200 entrevistas realizadas entre os dias 14 e 19 de agosto. No registro apresentado à Justiça Eleitoral constavam como objetos da pesquisa somente as eleições para governador e senador.
A suspensão ocorreu após representação apresentada contra a AtlasIntel Tecnologia de Dados Ltda. Segundo o processo, o questionário apresentado pela própria empresa continha, nas perguntas de números 5, 6, 7 e 8, questões relacionadas à intenção de voto para presidente da República.
Para a magistrada, há, em análise preliminar, uma aparente incompatibilidade entre as informações registradas oficialmente no PesqEle e o conteúdo do questionário utilizado no levantamento.
“A situação, portanto, não traduz mera questão periférica do instrumento de pesquisa”, afirma a decisão ao analisar a divergência encontrada entre o registro e o questionário.
Justiça aponta risco com divulgação dos resultados
Ao conceder a liminar, Marielma Ferreira considerou que a divulgação de uma pesquisa realizada em possível desconformidade com o registro poderia gerar efeitos sobre a formação da opinião dos eleitores antes da análise definitiva do caso.
Segundo a decisão, como a divulgação estava prevista para o próprio dia 20 de agosto, havia risco de os resultados circularem antes que a Justiça pudesse analisar de forma mais aprofundada as irregularidades apontadas na representação.
A magistrada ressaltou, entretanto, que a decisão é cautelar e não representa uma conclusão definitiva sobre a validade científica da pesquisa, nem afirma a existência de fraude ou manipulação dos resultados. A suspensão permanecerá enquanto as questões levantadas no processo são esclarecidas e submetidas ao contraditório.
AtlasIntel fica proibida de divulgar pesquisa
Na decisão, a Justiça determinou que a AtlasIntel se abstenha de divulgar, publicar, disponibilizar ou promover os resultados da pesquisa PA-04533/2026 por qualquer meio de comunicação enquanto a ordem judicial estiver vigente.
A proibição alcança redes sociais, sites, rádio, televisão e mídia impressa.
Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa de R$ 10 mil por cada ato de divulgação, sem prejuízo de outras sanções previstas na legislação eleitoral.
A empresa deverá ser notificada e poderá apresentar defesa no prazo de dois dias. Posteriormente, os autos serão encaminhados à Procuradoria Regional Eleitoral do Pará para manifestação.
Decisão foi assinada na noite de quinta-feira
A liminar foi proferida no processo nº 0601097-79.2026.6.14.0000 e assinada eletronicamente pela juíza auxiliar Marielma Ferreira Bonfim Tavares, às 20h15 desta quinta-feira (20).
O processo ainda será analisado no mérito, quando a Justiça Eleitoral decidir definitivamente sobre os questionamentos apresentados contra a pesquisa.

