Os obstáculos enfrentados pelas empresas de Roraima para acessar mercados nacionais e internacionais dominaram os debates do primeiro dia do Summit de Comércio Exterior 2026, realizado nesta quarta-feira (19), em Boa Vista. O evento, promovido pelo Sebrae Roraima, reuniu empresários, estudantes, profissionais e especialistas para discutir estratégias voltadas à expansão dos pequenos negócios no mercado internacional.
Entre os principais temas abordados estiveram a logística internacional, as rotas comerciais mais competitivas para o estado, as oportunidades em regiões de fronteira, a aplicação da inteligência artificial nos processos de internacionalização, a formação de preços para exportação e os acordos comerciais.
Durante o encontro, o gestor comercial de cargas da VINCI Airports, Pietro Aires, destacou que a localização geográfica da região Norte continua sendo um dos principais desafios para a competitividade das empresas locais.
Segundo ele, o isolamento logístico e comercial impacta diretamente os custos das operações e influencia o preço final dos produtos.
“Nós enfrentamos os principais desafios de isolamento logístico e comercial, e isso encarece muito para o empreendedor e para o consumidor final, principalmente no caso dos produtos que precisam chegar até aqui”, afirmou.
O debate ocorre em um momento de crescimento das exportações roraimenses. Entre janeiro e julho deste ano, o estado movimentou US$ 113,25 milhões em exportações, volume 37,77% superior aos US$ 82,20 milhões registrados no mesmo período de 2025.
Cultura exportadora
A analista de mercado do Sebrae Roraima, Carol Shueng, explicou que o Summit foi criado com o objetivo de fortalecer a cultura exportadora no estado e aproximar os pequenos empreendedores das oportunidades oferecidas pelo comércio internacional.
De acordo com ela, a segunda edição do evento ampliou o escopo das discussões ao incluir não apenas a exportação, mas também outras possibilidades de inserção das empresas no cenário global.
“A ideia é trazer temas que fazem parte desse processo para que as empresas possam aprender e entender como funciona, entender que não é um fluxo tão complicado assim. É totalmente possível que pequenos negócios possam atingir o mercado internacional”, destacou.
Experiências de outras regiões
A programação também contou com a participação de especialistas de outros estados. O analista de mercado internacional do Sebrae Mato Grosso, Guilherme Junglaus, compartilhou experiências relacionadas aos desafios e às oportunidades para empresas instaladas em áreas de fronteira.
Para ele, iniciativas como o Summit desempenham um papel importante na disseminação de informações qualificadas e na criação de novas oportunidades para os empreendedores.
“Um evento como o Summit é fundamental para a rede de pequenos negócios da região e do estado porque fomenta o comércio exterior, traz informação qualificada e alavanca os negócios para que eles possam buscar novas oportunidades”, ressaltou.
Conhecimento além da sala de aula
A programação também atraiu estudantes interessados em ampliar os conhecimentos sobre comércio exterior. A acadêmica de Relações Internacionais da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Carla Padilha, participou do evento em busca de uma aproximação maior com o tema.
“Estou aqui para compreender melhor o comércio exterior, conhecer mais sobre essa área e complementar a minha formação acadêmica. Acho importante ter contato com esse tipo de conteúdo para ampliar o conhecimento além da sala de aula”, afirmou.
Programação continua nesta quinta-feira
O Summit de Comércio Exterior 2026 prossegue nesta quinta-feira (20), com uma programação voltada para experiências práticas de internacionalização e apresentação de casos de empresas que conseguiram expandir os negócios para outros países.
Entre os destaques do segundo dia está a palestra “Importação Descomplicada para Microempresas: Como Comprar da China”, ministrada por Tania Gengo, que abordará estratégias de importação voltadas aos pequenos empreendedores.

