Os consumidores de Roraima vão sentir em maio o primeiro impacto da bandeira tarifária desde a entrada do Estado no sistema nacional de cobrança por cores. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acionou a bandeira amarela para o próximo mês, o que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 quilowatt-hora consumidos e encarece ainda mais a energia no Estado.
A cobrança extra atinge um cenário em que os roraimenses já pagam contas mais altas desde janeiro, após a interligação ao Sistema Interligado Nacional. Segundo dados do setor elétrico, o reajuste médio chegou a 24,13% em relação ao ano passado, com aumentos maiores para consumidores de alta tensão.
A mudança anunciada pela Aneel decorre da redução das chuvas na transição para o período seco, condição que diminui a geração hidrelétrica e exige maior uso de termelétricas, fonte mais cara. A agência também alertou para a necessidade de consumo racional diante da pressão sobre o sistema.
A perspectiva para os próximos meses também acendeu alerta no setor elétrico diante da possibilidade de influência do El Niño no segundo semestre, com impactos sobre o regime de chuvas no Norte e Nordeste. O cenário pode pressionar novas elevações tarifárias ao longo do ano.
Como funciona a bandeira tarifária
Criado para sinalizar o custo real da geração de energia no país, o sistema de bandeiras define cobranças adicionais quando há maior pressão sobre o setor elétrico. A cor acionada varia conforme fatores como nível dos reservatórios, risco hidrológico e custo da energia produzida.
No modelo em vigor, a bandeira amarela indica cobrança extra menor, enquanto as bandeiras vermelha patamares 1 e 2 representam custos mais altos ao consumidor. Antes do sistema, esses impactos eram repassados apenas nos reajustes anuais das distribuidoras.
Para Roraima, recém-integrado a esse mecanismo, maio marca a primeira aplicação prática desse modelo tarifário, somando novo peso ao orçamento dos cerca de 213 mil consumidores do Estado.


